Título: Sharon assina saída de Gaza
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/02/2005, Internacional, p. A7

Desocupação de 25 colônias começará em 20 de julho

JERUSALÉM - O premier Ariel Sharon e o ministro de Defesa israelense, Shaul Mofaz, assinaram ontem as ordens de evacuação de colônias da Faixa de Gaza, último estágio do processo legislativo. A assinatura só foi possível após Sharon receber o apoio do gabinete de ministros, que numa votação de 17 contra cinco aprovou seu plano de desocupação de 21 assentamentos de Gaza e de quatro outros no Norte da Cisjordânia. O plano já passou pela aprovação do Parlamento e agora tem data para começar: 20 de julho, segundo o conselheiro jurídico do governo, Menahem Mazuz.

- A retirada terminará antes do fim do ano - disse Mazuz, sem querer precisar mais datas.

Essa será a primeira evacuação de colonos judeus, desde que Israel ocupou a região, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A meta é que ao longo das quatro etapas da desocupação cerca de 9 mil colonos sejam transferidos.

- Esse não é um dia fácil, tampouco um dia feliz. Comecei a servir Israel há 60 anos, e tomei centenas de decisões, mas a de hoje foi a mais dura da minha carreira - disse Sharon, que no passado apoiou a instauração dos assentamentos em Gaza, mas que agora declara que a evacuação é necessária para o futuro de Israel.

De acordo com o planejamento, casas e sinagogas serão derrubadas, mas escolas e instalações agrícolas continuarão de pé.

Apesar da retirada, Israel seguirá controlando todos os acessos terrestres e marítimos, além do espaço aéreo da Faixa de Gaza, bem como se reserva o direito de lançar operações militares na região, ''para abortar atentados terroristas que estejam sendo preparados''.

O chamado corredor Filadélfia, entre a Faixa de Gaza e o Egito, permanece sob controle do Exército, até que se chegue a acordos de segurança entre o país vizinho e a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Desde o meio do ano, Israel tem impedido que jovens palestinos, com até 35 anos, ultrapassem a fronteira.

Muitos colonos disseram que resistirão à desocupação. Outros já decidiram aceitar as compensações do governo para se mudarem. O valor dessas indenizações somará US$ 986 milhões.

O apoio do governo veio a partir de uma aliança que o Partido Trabalhista, de centro-direita, fez com a coalizão de Sharon. Os cinco votos contra vieram do partido Likud, de extrema-direita, entre eles, o do ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu.

A primeira fase da operação desocupará as colônias de Morag (36 famílias), Netzarim (60) e Kfar Darom (85), todas na Faixa de Gaza. Em seguida, mais 110 famílias sairão das colônias de Ganim, Kadim, Sanur e Homesh, na Cisjordânia. Além de 48 dos assentamentos Kfar Yam, Shirat Hayam, Slav e Tel Katifa, em Gaza.

A terceira fase é a mais importante e incluirá Bedolah (31 famílias), Atzmona (100), Gadid (56), Gan Or (52), Ganei Tal (75), Nevé Dekalim (513), Netzer Hazani (75), Pat Sadeh (19), Katif (65), Rafiah Yam (22) e Shalin (10). Por fim, 382 famílias serão deslocadas das colônias de Alei Sinaí, Nisanit e Dugit.

Ainda ontem, o gabinete de Sharon aprovou uma modificação na rota da ''barreira de segurança'', o que foi necessário após a Suprema Corte do país declarar que o antigo traçado atrapalhava a vida dos palestinos. Mesmo com a mudança, palestinos temem perder o controle da Cisjordânia, que tem 7% de sua área dentro do ''território'' de Israel englobado pelo muro. No antigo traçado, eram 19%.

O negociador do processo de paz do lado palestino, Saeb Erekat, declarou que continuar construindo a barreira vai desperdiçar os esforços para o plano da paz.