Título: Globopar foi investigada
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 15/02/2005, País, p. A5

A organização criminosa que utilizou a empresa Kroll para fazer investigações ilegais recorreu a um ex-funcionário do Banco Central para ter acesso a informações sigilosas de grandes grupos econômicos no Brasil. Um dos grupos investigados é a Globopar, holding da família Marinho.

Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, com autorização judicial, captaram uma conversa entre o principal espião da Kroll, Tiago Verdial, e o ex-funcionário do BC Alcindo Ferreira, que foi trabalhar para uma empresa de câmbio.

Na conversa, Alcindo Ferreira repassa para Tiago Verdial dados cobertos por sigilo bancário, referentes a empréstimos realizados pela Globopar, demonstrando ter acesso aos dados do sistema de informações Sisbacen, do BC.

O diálogo telefônico foi gravado dia 22 de março do ano passado, às 11h57. Alcindo detalha que a Globopar não tem nenhum capital estrangeiro na composição societária e explica que a empresa fez muitos empréstimos no exterior, além de duas empresas off shore. Tiago vai além e pede a Alcindo uma ''listinha dos emprestadores'' da empresa.

Alcindo afirma que não sabe o que isso valeria para o que chama de ''nosso trabalho''. Para a Polícia Federal, a fala de Alcindo demonstra ter ele ''possível interesse na situação''.

Durante a conversa com Alcindo, Tiago Verdial recebeu telefonema de William Goodall, o Bill, que é o representante da Kroll na Inglaterra, responsável por coordenar as investigações para o Opportunity. Tiago então informa a Bill que Alcindo passou ''as últimas novidades''. Tiago pergunta a que horas Alcindo pode passar as informações diretamente a Bill. Fica combinado que Bill vai ligar para Alcindo.

A quadrilha também se apropriou de dados protegidos por segredo de Justiça, referentes a um ofício da provedora de internet Universo Online (UOL). A espiã Júlia Cunha teve acesso ao material e enviou para Tiago Verdial, que posteriormente divulgou a informação para sua mãe, Anne Marie. O material que estava sob segredo de Justiça, é um ofício que a chefe do departamento jurídico do UOL, Maria Fernanda Uchoa Campos, enviou ao delegado federal José Nogueira Elpídio.

O delegado, que estava à frente do caso Kroll, solicitara à Justiça o monitoramento do e-mail de Tiago Verdial. O UOL informou à PF que não tinha como fazer isso porque os endereços eletrônicos haviam sido cancelados e não era possível grampeá-los.

A quebra de sigilo de Justiça teria ocorrido com a ajuda de Policial Federal que teria prestado colaboração à Kroll. Em uma conversa com a mãe, Tiago diz que a espiã Júlia tem um ''contato na PF''.