Título: Medo da inflação domina debate do G8 no Japão
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 14/06/2008, Economia, p. A19

Países estudam impacto no crescimento mundial

EFE

Os ministros de finanças do G8, que reúne as sete nações mais ricas do mundo e a Rússia, começaram a estudar ontem, em Osaka (Japão), o risco da pressão inflacionária ¿ derivada da alta de preços dos alimentos e do petróleo ¿ para o crescimento econômico mundial.

Entre fortes medidas de segurança, os representantes de EUA, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Rússia, Japão e Alemanha abriram a reunião de dois dias com um debate sobre a inflação alimentícia com ministros de alguns países afetados, como Brasil e China.

O momento econômico é complicado, com o barril de petróleo beirando os US$ 140, os preços dos alimentos básicos em alta ¿ o que ameaça principalmente os países pobres ¿ a persistência da crise nos EUA e a fraqueza do dólar.

O anfitrião da reunião Fukushiro Nukaga demonstrou esperar que os países do G8 "alcancem um entendimento comum" sobre como diminuir o risco de aumento dos preços de matérias-primas, já que isto é um problema para a economia mundial.

A reunião do G8 termina hoje, mas ontem já houve um jantar conjunto dos oito ministros com representantes de Brasil, Austrália, Tailândia, China, Coréia do Sul e África do Sul, que transmitiram sua impressão sobre a situação econômica. Também houve vários encontros bilaterais entre os participantes.

Mudanças climáticas

Um desses encontros foi entre os representantes de Japão, EUA, Reino Unido e do Banco Mundial, que pediram aos países ricos para fornecer dinheiro ao fundo contra a mudança climática que essas três nações impulsionam, e para o qual querem reunir US$ 10 bilhões antes do fim de ano.

O objetivo é desenvolver energias limpas no mundo em desenvolvimento, mas, por enquanto, só foi obtido metade dos US$ 10 bilhões. O fundo seria administrado pelo Banco Mundial.

Outro encontro bilateral de hoje foi protagonizado pelo japonês Nukaga e pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, que analisaram a situação do dólar. Em declarações posteriores, eles disseram que é preciso observar minuciosamente a evolução dos mercados.

Recentemente, diversos funcionários americanos expressaram sua preocupação com a fraqueza do dólar, e Paulson sugeriu esta semana que os Estados Unidos poderiam intervir no mercado para estimular a cotação da divisa americana.

Ao contrário de outros encontros, a ausência dos governadores dos bancos centrais das principais áreas monetárias em Osaka diminuirá o protagonismo do debate sobre as taxas de juros e as divisas, apesar de ser difícil de evitar a influência da fraqueza do dólar na escalada do preço do petróleo.

Ao fim do encontro, o provável é que o G8 reitere o apelo que fez em fevereiro à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a seu grupo irmão, o G7 (grupo das sete nações mais ricas), durante uma reunião em Tóquio, para que se aumente a produção.