Título: Lula reúne ministros e define ida a palanques
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 06/06/2008, País, p. A4

Idéia é estabelecer padrão de comportamento comum

brasília

A quatro meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma reunião ministerial na segunda-feira para definir as regras de participação de seus auxiliares diretos nas campanhas municipais. A idéia é estabelecer os limites para que os ministros subam em palanques e dêem apoio aos aliados.

De antemão, uma das orientações que será discutida é evitar rachas entre os partidos que apóiam a base aliada do governo federal.

¿ O presidente quer combinar com os ministros que atuam mais na área política a forma [de atuar] nas eleições municipais já que a nossa base tem 14 partidos e nós não podemos ter uma participação do governo que contrarie parceiros ¿ afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Ministros opinarão

Segundo Múcio, o presidente quer ouvir a opinião de cada ministro sobre as regras que devem ser definidas. Múcio lembrou ainda que além das normas fixadas na reunião de segunda-feira, cada um deve seguir as orientações de seus partidos políticos.

¿ Os ministros podem trabalhar nos Estados ¿ esclareceu. As regras serão estabelecidas por partidos. Mas cada um vai dar a sua opinião.

Apoio

Ontem, Lula recebeu um apelo do ex-ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, para que participe de sua campanha eleitoral pela Prefeitura de São Bernardo (SP). Em meio a sorrisos, Marinho disse que bastam uma recomendação de voto e duas visitas de Lula ao município que "está bom".

Mais sucinta ao comentar a eventual colaboração de Lula na sua campanha à prefeitura de São Paulo, a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy disse apenas que o presidente iria apoiá-la. Mas não explicou como. Segundo ela, a "forma" ainda estava sendo definida.

Internamente, o PT toma diferentes resoluções sobre eventuais parcerias nos municípios. Em 14 municípios, o partido autorizou alianças com PSDB, DEM e PPS -legendas que fazem oposição ao presidente Lula em nível nacional.

No entanto, vetou a parceria com o PSDB em Belo Horizonte (MG) sob o argumento de que as negociações poderiam ter reflexo em 2010.

Ontem, Múcio negou que as orientações que serão dadas na reunião ministerial já prevejam as eleições de 2010. Segundo o ministro, não há temor por um "racha" na base aliada em decorrência da campanha eleitoral, mas o empenho para trabalhar com "parceiros".

¿ Não é evitar racha, é (atuar para que você não) atrapalhe parceiros que ajudam a governar o país ¿ informou. O problema não se trata de 2010, mas trata de outubro de 2008.