Título: América Latina culpa subsídios por atual crise
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Fonte: Jornal do Brasil, 06/06/2008, Economia, p. A17
Os representantes dos países latino-americanos concordaram que a alta dos preços dos alimentos deve-se aos subsídios e à especulação. Os latino-americanos também se transformaram nos principais defensores do "bom etanol", expressão usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao afirmar que os biocombustíveis são como o colesterol: "há o bom etanol e o mau etanol".
Entre os fatores que desencadearam o aumento dos preços agrícolas, os países da América Latina negaram que a produção dos biocombustíveis seja uma das causas, já que, para muitos, é uma grande oportunidade para combater o aumento do preço do petróleo.
Enfatizaram também que deve haver distinção entre o biocombustível extraído da cana-de-açúcar e da palma africana e que é "inaceitável" o uso de cereais básicos como o milho para sua produção.
Na cúpula, a ONG Oxfam denunciou que Europa e Estados Unidos dedicaram 80 bilhões de euros em 2006 para subsidiar seus camponeses, o que distorce o mercado e diminui as oportunidades para os Estados mais pobres.
Por isso, o embaixador da Bolívia Julio Pantoja Salamanca propôs ontem que os países ricos transfiram seus subsídios agrícolas para os mais pobres, com o objetivo de criar um "fundo mundial" para estimular uma "década produtiva com mais e melhores alimentos".
Para o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, a atual crise dos alimentos pode se transformar "em uma grande oportunidade para o setor produtivo nacional" e substituir assim a importação de produtos agropecuários do mercado internacional. Fernández acrescentou que isso pode fracassar se "os subsídios generalizados à produção e exportação de produtos agropecuários dos países desenvolvidos" continuarem.
Para a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, os culpados da especulação são os "pools de plantio", empresários que controlam conjuntos de terras.
O secretário de Agricultura do México, Alberto Cárdenas Jiménez, concordou com Lula sobre o "etanol bom e etanol ruim" e anunciou que seu país também começará a produzi-lo a partir da cana-de-açúcar. Cárdenas Jiménez também mostrou a rejeição de seu país aos combustíveis extraídos de cereais cultivados graças aos auxílios concedidos pelos governos dos EUA e da União Européia.