Título: Desconto em folha avança
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 23/01/2005, Economia e Negócios, p. A19
Quando o arquiteto Renato Silva, de 32 anos, decidiu comprar um carro no fim do ano passado, pesquisou as diferentes modalidades de crédito e optou por um empréstimo pessoal, com taxas de juros menores do que no financiamento da própria montadora, geralmente mais barato.
- Peguei um empréstimo no banco e paguei o carro à vista. Se entrasse no financiamento da montadora, iria me enrolar e estaria no cheque especial todo mês, com as minhas despesas mensais - explica Silva.
É esse movimento que tem chamado a atenção de grandes instituições financeiras do país. No Banco do Brasil, por exemplo, o programa mais enfatizado é o de crédito com desconto em folha. A taxa de juros é de 1,75% a 3,3% ao mês e o pagamento varia entre 6 e 36 meses. O banco, que tem R$ 1,7 bilhão em empréstimos na modalidade, espera dobrar este montante até o fim do ano, chegando a R$ 3,54 bilhões. Outra opção é o CDC eletrônico, com taxas que variam entre 3,5% a 4,8% para pessoas com renda até R$ 1 mil. Já os juros no cheque especial vão até 7,73% ao mês e os do cartão de crédito chegam a 7,39% ao mês.
- Estamos sempre preocupados em criar programas para direcionar o consumidor de diferentes rendas a usar o crédito adequadamente. Já percebemos que muitos clientes migram de uma linha para outra atraídos pelas melhores condições. Por isso, não se deve utilizar cheque especial ou cartão de crédito porque o rotativo é grande - afirma Edson Monteiro, vice-presidente de varejo e distribuição do BB.
A Caixa tem programa semelhante. O programa de crédito consignado em folha oferece taxas entre 1,75% até 4% ao mês (para 6 a 36 meses). Líder em empréstimos neste segmento, com 30% do mercado, a Caixa espera ampliar em R$ 5 bilhões sua carteira este ano, chegando a R$ 8 bilhões.
- A taxa de juros varia de acordo com o prazo e com a análise de risco da pessoa - alerta Cassio Roberto Sopko, superintendente nacional de segmentos e distribuição.