Título: Facilidades que custam caro
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 23/01/2005, Economia e Negócios, p. A19

Novos serviços oferecidos por instituições financeiras ocultam armadilhas, como taxas de juros elevadas e tarifas

Não há como fugir dos juros em um país que tem a maior taxa real (acima da inflação) do planeta - mais de 12% ao ano. Assim, a única saída é apostar no uso consciente do crédito, aderindo a empréstimos em condições melhores. Mas também é necessário atenção redobrada na hora de comprar novos serviços oferecidos por bancos e administradoras de cartões. Em muitos casos, a novidade esconde despesas extras para os desavisados.

Bancos como Bradesco e Unibanco estão oferecendo linha especial para financiamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2005. As taxas de juros são de 3,5% ao mês (51% ao ano). Mas no Bradesco ainda há despesas que encarecem o valor do serviço como o valor da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), de R$ 25, que pode ser financiado, em até 12 parcelas, e incluído no valor da prestação.

- Os consumidores devem ficar atentos a todas as despesas e fazer o cálculo. Às vezes, não compensa. No caso dos impostos de início de ano, quem parcelar o pagamento terá juros menores quando comparados aos oferecidos pelos bancos. Os consumidores terão juros altos de qualquer jeito e a tendência é só subir. A única saída, para quem depende de crédito, é pesquisar e escolher as taxas que terão menos impacto no orçamento - explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Não são apenas os bancos que oferecem programas com armadilhas embutidas. A American Express, por exemplo, acaba de lançar o Pague Fácil. O programa, que permite o cadastramento de contas debitadas automaticamente na data do vencimento, livrando o consumidor de entrar no cheque especial, cobra taxa de 2% sobre o valor de cada despesa.

- Não são cobrados juros neste programa. Assim, o consumidor não fica dependente das taxas de cheque especial, que chegam a 10% ao mês. O lançamento está relacionado a este início de ano, em que há uma série de despesas - alega Cesário Nakamura, vice-presidente de produtos da American Express.

A Credicard possui programa semelhante, chamado Pague Conta. A empresa faz o pagamento das contas no dia do vencimento. De acordo com Fernando Chacon, superintendente-executivo de marketing da Credicard, a dívida é paga na fatura do cliente no mês seguinte.

- A taxa de juros para esse serviço é de 1,99% ao mês e R$ 1 para cada ficha de compensação, o que livra os consumidores do cheque especial - ressalta Chacon, que não chama a cobrança de tarifa.

Assim, quando o objetivo é fugir dos altos juros, consumidores como a gerente Angelita Baliu, de 39 anos, não hesita em reservar parte de seu tempo para pesquisar as diferentes taxas de juros nas distintas modalidades de crédito oferecidas pelos bancos.

- Já deixei de usar vários programas oferecidos por bancos porque a cobrança era muito alta ou havia cobranças extras que não compensavam. Ainda mais neste início de ano, em que, além dos impostos, tenho gastos com despesas escolares dos meus filhos. Por isso, já usei linhas de crédito do banco, com juros menores, para quitar o cheque especial, cujo juro é bem mais elevado - explica Angelita, gerente de uma loja de brinquedos.