Título: Milícias armadas atacam campos de refugiados
Autor: Stolberg, Sheryl Gay
Fonte: Jornal do Brasil, 08/07/2008, Internacional, p. A23

Milícias armadas ligadas ao governo do Zimbábue atacaram dois campos de refugiados, lar provisório de centenas de pessoas que tentam fugir da violência no país. Segundo testemunhas, várias pessoas foram mortas num ataque em Gokwe, no norte de Harare. No campo de Ruwa, perto da capital, homens mascarados disfarçados de soldados agrediram pessoas que haviam buscado refúgio na embaixada da África do Sul. Cerca de 400 pessoas estão concentradas no local. Pelo menos oito refugiados foram levados ao hospital e cerca de 14 pessoas estão desaparecidas depois do ataque em Ruwa. Várias delas faziam parte de uma patrulha organizada para fazer a segurança do campo. Negociação Os ataques podem minar os es- forços para a negociação de divisão de poderes entre o governo do presidente Robert Mugabe e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai. O partido de oposição Movimento para Mudança Democrática (MDC) afirma que 5 mil partidários estão desaparecidos e mais de 100 já foram mortos desde o primeiro turno das eleições, em março. A oposição acusa o Exército e milícias ligadas ao governo de estar por trás das ações de violência, o que tem sido negado por Mugabe. Os ataques de ontem ocorreram após o presidente sul-africano Thabo Mbeki, mediador da crise, ter se encontrado no fim de semana com Mugabe e com membros de uma facção da oposição para tentar negociar um governo de coalizão. Justificativa Tsvangirai boicotou o en- contro justificando que se reunir com Mugabe no palácio presidencial seria reconhecer sua autoridade como presidente. O líder da oposição diz que o fim da violência é uma pré-condição para o início das negociações com o governo. Há relatos, no entanto de que o governo sul-africano tenha apresentado uma proposta que o MDC estaria considerando aceitar. Tsvangirai se retirou da disputa presidencial em 22 de junho, cinco dias antes do segundo turno das eleições. O candidato da oposição disse que não havia sentido em concorrer em eleições que não seriam livres e justas e que o resultado "já estava determinado" pelo seu adversário.