Título: Portos levam empresário a se indispor com a ministra Dilma
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 10/07/2008, País, p. A2
A última interferência do empresário Daniel Dantas no governo concentrou esforços na Casa Civil. Ao contrário do que se imagina, as articulações nada têm a ver com telecomunicações. Dantas travou uma guerra nos bastidores do Palácio do Planalto com o bilionário Eike Batista, o homem mais rico do Brasil. O motivo da disputa é o marco regulatório do setor portuário. Batista tinha interesse em abrir portos para investimentos privados sem licitação, mas teve a idéia afogada pela chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. Segundo lideres do Congresso com acesso ao Palácio do Planalto, a medida teria sido mais um afago a Dantas, que controla a Santos Brasil. Na avaliação de especialistas ligados a Eike, a decisão de Dilma mantém o monopólio no setor nas mãos do banqueiro. O primeiro mimo portuário para o proprietário do Banco Opportunity, no entanto, teria sido a nomeação Fabrizio Pierdomenico como subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário - segundo cargo da Secretaria Nacional de Portos. O caso também teve reflexos no Congresso. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ficou do lado de Batista e defendeu a quebra do monopólio de Dantas no setor portuário. Na tropa de choque de Dantas, a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), não cansou de repetir aos colegas que a Santos Brasil administrava, em regime de concessão, apenas um dos diversos terminais de contêineres que existem no Brasil. (M. F.)