Título: Representante dos EUA afasta mal-estar
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/07/2008, Economia, p. A18
A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, pôs de lado o mal-estar criado pelo comentário do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, sobre o ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels, e disse que o momento não é para "retórica ultrapassada".
¿ Esta não é a hora nem a semana para cair de novo em retórica ultrapassada, destinada a perpetuar velhas divisões e criar outras novas ¿ disse Schwab, durante entrevista no primeiro dia da retomada das negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, em Genebra (Suíça). Com isso, ela desfaz a imagem de que as negociações poderiam ser esvaziadas, colocando o foco em um comentário alheio às negociações.
Sábado, Amorim comparou a resistência dos países ricos em negociar com a atitude do chefe da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, o lembrou que, em sua estratégia, Goebbels dizia que uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade.
Schwab, que é descendente de sobreviventes do holocausto, foi a primeira a reagir, por meio de seu porta-voz Sean Spicer. Ela disse que "no momento em que tentamos encontrar um resultado bem sucedido para as negociações, esse tipo de declaração é altamente infeliz".
¿ Para alguém que é ministro de Relações Exteriores, ele devia estar mais atento para alguns pontos sensíveis.
Amorim pediu desculpas pela declaração, mas sustentou que "repetir uma distorção faz com que as pessoas acreditem que ela é a verdade".
O diário americano "The Wall Street Journal"" disse em um artigo que a declaração de Amorim é "absurda e preocupante, vinda de um diplomata moderado"".
Já o jornal americano The New York Times diz que a rodada está viva, com "através de aparelhos". O diário diz que a Índia e o Brasil "se recusam a reduzir suas tarifas devido ao medo das economias movidas a exportações, como a China".
O jornal The New Zealand Herald disse que a declaração de Amorim é "potencialmente um incidente diplomático. O comentário motivou uma pronta resposta dos EUA".