Título: Decisão do BC custou R$ 3,2 bilhões
Autor: Monteiro , Viviane
Fonte: Jornal do Brasil, 25/07/2008, Economia, p. A17

O aumento da Selic, um dos indexadores dos títulos públicos internos, já é visível no crescimento do rombo público interno. Só o impacto direto da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar 0,75 ponto percentual a taxa de juros da economia sobre a dívida interna será de R$ 3,22 bilhões. O aumento total da taxa concedido nas últimas três reuniões do órgão vinculado ao Banco Central ¿ de 1,75 ponto percentual ¿ deixam a dívida mais alta R$ 7,52 bilhões. Em junho, o peso dos juros sobre a dívida total foi de R$ 12,9 bilhões.

Em junho, a parcela do endividamento atrelada à Selic foi de 34,46%, o equivalente a R$ 429,76 bilhões. Ficou abaixo do apurado em maio, de 35,42%. A baixa foi puxada pelo resgate líquido de papéis atrelados à Selic no valor de R$ 13,5 bilhões. O endividamento público federal interno mantém a trajetória de alta motivada pelo impacto da taxa Selic e dos índices de inflação. Em junho, a dívida, considerando a interna e a externa, chegou a R$ 1,343 trilhão, 0,47% acima do apurado no mês anterior. Os dados fazem parte do relatório do Tesouro Nacional, divulgado ontem.

O resultado foi influenciado pelo aumento de 0,62% da dívida pública mobiliária interna que atingiu R$ 1,247 trilhão. Já o rombo público externo caiu 1,5% para R$ 96,1 bilhões, graças à valorização da moeda nacional em relação às demais moedas que compõem o endividamento externo do governo federal. O Plano Anual de Financiamento (PAF) estima que a dívida pública federal total fechará o ano entre R$ 1,480 trilhão e R$ 1,540 trilhão.

Pouca demanda

Apesar do movimento de alta da Selic, o coordenador de Operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, não "notou" forte procura de investidores por títulos indexados à taxa Selic.

¿ Não se observou mudanças para qualquer tipo de título nos últimos meses ¿ argumentou.

A dívida interna do governo federal também subiu em virtude da inflação que está em movimento de alta. A fatia dos títulos públicos remunerados por índices de preços saltou de 27,37% para 27,90% entre maio e junho. Por sua vez, a participação dos prefixados nos títulos da dívida oscilou de 34,30% para 34,77% no período.

Diante do incremento das variações da taxa Selic e dos índices de inflação, sobretudo o IGM-P, o custo médio da dívida pública interna saltou em junho para 14,45% anuais, após registrar alta de 14,20% no mês anterior. Nos últimos 12 meses, o custo subiu de 12,72% para 12,91% anuais, em decorrência da maior variação dos índices de preços na comparação com junho de 2007. No caso do estoque total, incluindo a dívida interna e externa, o custo oscilou de 12,03% para 13,02% anuais.

Dólar despenca

Com juros nominais de 13% ao ano, o Brasil abriu um diferencial da ordem de 10,5 pontos em relação aos 2,5% pagos pelos títulos americanos e passou, em tese, a atrair mais capital do exterior. O resultado foi uma queda de 0,28% do dólar, que desceu a R$ 1,5795. A Bolsa também sentiu o golpe. A Bovespa teve ontem um dos piores pregões de 2008 e terminou as operações com queda de 3,34%, aos 57.434 pontos, no menor patamar desde 21 de janeiro. No mês, as perdas chegam a 11,66%.