Título: Santa Cruz amplia protestos
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Fonte: Jornal do Brasil, 22/01/2005, Internacional, p. A8
Presidente da Bolívia manda militares à cidade
SANTA CRUZ - Milhares de pessoas se concentraram ontem em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para a maior demonstração feita até agora contra os aumentos dos combustíveis, anunciados pelo governo em dezembro. Pela manhã, o presidente Carlos Mesa ordenou o deslocamento de militares para os mais importantes pontos da cidade.
Um porta-voz da província de Santa Cruz disse que a situação na cidade é extremamente tensa e pediu que os dois lados - governo e oposição - conduzam os protestos da forma mais pacífica possível.
A refinaria de Palmasola e o aeroporto de Viru Viru, que na véspera suspendeu os vôos locais por causa da greve dos controladores, amanheceram sob custódia militar, em ''medida de contingência'', de acordo com a Prefeitura. Mas as informações eram contraditórias. Um porta-voz de aeronavegação informou que o tráfego estava interrompido, inclusive para vôos internacionais. Já o governo assegurou a normalidade das operações do maior aeroporto da Bolívia.
Enquanto isso, os manifestantes ampliavam a ocupação pacífica de prédios públicos em Santa Cruz e instalaram piquetes de greve de fome. No início da crise, há cinco dias, 100 pessoas aderiram ao jejum. Ontem, já eram 200, até autoridades universitárias.
Mais de mil pessoas também se reuniram na frente da sindicato regional Central Operária no departamento e saíram em marcha pelas ruas de Santa Cruz. Depois de um pequeno confronto com a polícia, a multidão foi dispersada com gás lacrimogêneo.
Além dos protestos nas ruas, organizados pelo Comitê Cívico crucenho, o presidente enfrenta dificuldades no Congresso - onde tem minoria, por não ter apoio dos partidos da direita. Na quinta-feira, quatro importantes ministros (da Presidência, Fazenda, Economia e do Petróleo) foram censurados pela Casa, por permitirem a instabilidade social. Mesa agora tem que decidir se ratifica os ministros nos cargos, em desafio ao Congresso.
- Estou atravessando um momento muito crítico, muito difícil - admitiu ontem.
O defensor público Waldo Albarracín e a Igreja Católica da Bolívia ofereceram mediação para superar a crise. Nos últimos dias, Mesa perdeu inclusive o apoio do líder cocalero Evo Morales, do partido Movimento ao Socialismo (MAS), também por ter aumentado o preço do diesel - combustível usado em transportes e maquinaria da agricultura.
Ontem, entretanto, ganhou o respaldo dos prefeitos de nove das 10 maiores cidades do país. Só faltou Santa Cruz.