Título: BC intervém, mas dólar fecha a R$ 2,68
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/01/2005, Economia & Negócios, p. A19

Previsão de juro resiste a inflação menor

Após quatro dias sem intervir no mercado de câmbio, o Banco Central decidiu entrar em cena ontem com novo leilão para compra de dólar logo pela manha, mas a atuação não foi suficiente para frear a queda da moeda. A cotação fechou a R$ 2,688, segundo menor patamar do mês, queda de 1,10%. No mercado externo, a moeda americana voltou a registrar queda devido à preocupação dos investidores com o rumo dos juros e o déficit recorde nas contas dos EUA. As captações realizadas por dois bancos (Votorantim e Itaú), somando US$ 225 milhões, aumentaram a disponibilidade da divisa, contribuindo para a queda.

A elevação em 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros, anunciada esta semana pelo BC, também favoreceu a tendência, ao incentivar investidores a se desfazerem de dólares para comprar títulos que remuneram pela Selic.

Ontem, o mercado financeiro ainda vivia sob o clima da alta da Selic. Nem mesmo o fato de a prévia do IGP-M ter revelado inflação abaixo do esperado deteve o processo de alta dos juros futuros. De acordo com os dados divulgados pela FGV, o indicador registrou inflação de 0,28% na segunda prévia deste mês. As estimativas do mercado estavam entre 0,30% e 0,40%.

Os contratos de 360 dias usados como referência em operações de crédito do setor privado fecharam com juros de 18,61%, contra 18,52% do dia anterior. Há um mês, a taxa era de 17,50%. Na BM&F, o contrato DI com resgate em seis meses fechou a 18,89% contra 18,79% do dia anterior.