Título: Oposição não discute, por enquanto, uma nova CPI
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 10/06/2008, País, p. A3

Os rumores da criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a venda da Varig e da Varig Log foram amenizados ontem por líderes da oposição. O entendimento é de que agora qualquer movimento neste sentido pode ser precipitado e favorecer os governistas. Há receio de que um pedido de CPI sem provas consistentes transforme a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de acusada em vítima.

A justificativa oficial, no entanto, adotada por democratas e tucanos, é de que o Congresso pode sofrer um novo desgaste sem que se chegue a lugar algum ¿ como ocorreu nas investigações do mau uso dos cartões corporativos, que terminou na semana passada sem indiciar nenhum integrante do primeiro escalão devido à maioria governista.

Os líderes da oposição dizem, portanto, que vão aguardar a conclusão dos 12 depoimentos na Comissão de Infra-Estrutura para decidir se haverá ou não CPI para a Varig. Além dos sete depoimentos de amanhã, estão previstos para o dia 18 mais cinco esclarecimentos, entre eles, o do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Lula e que, de acordo com Denise, teria usado seus contatos junto ao governo federal para obter vantagens financeiras para os compradores da Varig e da Varig Log. - Aprendemos à lição. Só vamos entrar em uma nova CPI quando tiver absoluta segurança de que poderemos mesmo diante de uma blindagem produzir algo ¿ diz o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

A cautela da oposição é bem recebida pelos governistas. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp, avalia que o caso pode ser apurado em outras frentes. ¿ Não podemos parar o Congresso sempre que uma nova denúncia chegar. A Comissão de Infra-Estrutura já avalia o caso. Temos uma agenda que precisa ser executada para ajudar o País avançar - declara o governista. (M. F.)