Título: Para ministro, situação do RS não requer intervenção
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 11/06/2008, País, p. A6
Regional da CNBB se manifesta e pede apuração dos atos de corrupção.
Brasília
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, ontem, que acompanha os desdobramentos da crie política no Rio Grande do Sul com preocupação, mas negou que o governo federal pretenda intervir no Estado. Segundo ele, o Rio Grande do Sul passa por grande instabilidade política, mas está sob controle das instituições locais.
- Não é caso de intervenção federal ¿ informou. ¿ As instituições do Estado estão funcionando normalmente, o processamento político compete aos partidos localmente. Não há violação constitucional, tudo está funcionando de maneira adequada.
Evitando criticar a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), de quem é adversário político, Tarso afirmou que opinava sobre a crise política gaúcha como ministro da Justiça.
- Como ministro da Justiça, é claro que nós acompanhamos todas as questões políticas que têm incidência jurídica ¿ admitiu. ¿ No Rio Grande do Sul tem uma instabilidade política grande. O nosso acompanhamento é para verificar se as instituições estão funcionando normalmente, e estão. E torcendo para que a crise passe logo e para que o Rio Grande do Sul se estabilize novamente ¿ disse o ministro.
Onda de demissões
Nos últimos dias, o governo de Yeda Crusius foi atingido por denúncias de desvio de recursos e irregularidades. A tucana demitiu alguns de seus auxiliares diretos e pediu ainda que todo o secretariado colocasse os cargos à disposição. A governadora vai montar um governo de transição na tentativa de buscar soluções para a crise.
O ministro lembrou que as denúncias vieram à tona depois de investigações realizadas pela Policia Federal. Tarso elogiou a PF na condução do processo.
- Esse processo começou com um inquérito da Policia Federal sobre verbas públicas e Detran ¿ acrescentou. ¿ Um inquérito de muita qualidade e bem feito. Dos 48 indiciados, 44 foram denunciados.
CNBB reage
A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Rio Grande do Sul defendeu, ontem, a investigação das denúncias de irregularidades no governo de Yeda Crusius (PSDB) ¿até as últimas conseqüências¿para punir os culpados e ressarcir aos cofres públicos.
A posição da entidade foi tomada após reunião do presidente da regional Sul da CNBB, d. José Mario Stroeher, e o presidente da CPI do Detran, deputado Fabiano Pereira (PT). O encontro foi na sede da CNBB em Porto Alegre a pedido de Pereira.
- Defendo que os órgãos competentes de fiscalização exerçam seu papel de controle e investiguem [as denuncias] até as ultimas conseqüências. Não só com a punição, mas com a reparação dos recursos públicos desviados ¿ afirmou d. José Mário.
O bispo disse acreditar que as irregularidades divulgadas agora acontecem há vários governos, que de alguma maneira permitiram a corrupção ou não tomaram as devidas providencias.
Isso me entristece profundamente, porque eu achava que aqui (no Rio Grande do Sul) havia um modo diferente de fazer política ¿ admitiu. ¿ Eu lamento isso tudo. Eu faço um apelo pela ética.
O deputado Fabiano Pereira disse que pediu o encontro com d. José Maria porque, no último fim de semana, a CNBB já havia manifestado a preocupação com a situação do Estado. No encerramento da 5ª Ação Evangelizadora da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, os bispos divulgaram uma carta aberta na qual manifestam preocupação com o momento político no Estado. (Folhapress).