Título: Alta de preços desafia BCs no mundo
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/06/2008, Economia, p. A18
Economias da Ásia, Europa e América Latina recorrem a juros maiores para conter fenômeno.
A inflação subiu em maio nas principais economias da Ásia, Europa e América Latina, acompanhando o avanço rápido dos custos de energia e alimentos e representando um complicado desafio para os bancos centrais que tentam conter a pressão inflacionária global.
O crescimento acentuado dos preços das matérias-primas em maio levou a inflação no atacado para o maior nível em 27 anos no Japão e para o maior patamar em quase quatro anos na China.
O banco central da Índia elevou inesperadamente a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual, para 8% ao ano, em uma tentativa de controlar a inflação. Foi o primeiro aumento desde março de 2007.
Em Paris, Christian Noyer, membro do Conselho Diretor do BCE, disse que os mercados financeiros tiraram as conclusões certas dos comentários do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, sobre a possibilidade dos juros subirem já em julho.
¿ Eu acho que o mercado entendeu bem o sinal que foi dado sobre a possibilidade de um aumento do juro no próximo mês, e eu digo possibilidade, não certeza, porque nós nunca nos comprometemos de forma incondicional ¿ afirmou Noyer. Na semana passada, o BCE manteve o juro em 4%.
Alguns governos têm anunciado planos para tentar combater a inflação. No Kuwait, o governo apresentou uma proposta para reduzir a tributação de alimentos importados e aumentar os subsídios. Na Malásia, o primeiro-ministro descartou novos aumentos dos combustíveis neste ano.
Em uma nova evidência de pressões inflacionárias na zona do euro, a Espanha anunciou que a inflação ao consumidor em termos anuais saltou para o maior nível em 13 anos, 4,6% em maio. Na França, a inflação harmonizada com a zona do euro subiu para 3,7%, maior taxa desde o início da série história, em 1997.
¿ A inflação vai continuar alta nos próximos meses, ainda não atingimos o pico ¿ disse Olivier Gasnier, economista do Société Générale.
A alta das matéria-primas mudou nas últimas semanas o foco dos bancos centrais. Se antes o assunto era o crescimento econômico, agora é a ameaça de uma alta global da inflação.
Inflação e energia seguram EUA
A maior necessidade de enfrentar a inflação foi destacada nesta semana pelo chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, que disse que a missão do Fed é controlar as expectativas de inflação ao consumidor.
Ontem, o Fed considerou que os EUA se aproximam do verão (inverno no Brasil) com uma economia "em geral fraca", afetada pelos altos custos da energia e dos alimentos, que inibiram os consumidores e levaram empresas a elevar seus preços. A avaliação consta do Livro Bege (documento composto de dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do banco).
Segundo o documento, a economia tem mostrado um desempenho desanimado e preços de energia e alimentos em alta. Os preços altos desses dois itens elevam o risco de que a inflação se espalhe para outros campos e podem prejudicar o crescimento econômico geral.
Segundo o documento, os gastos dos consumidores desaceleraram, com o golpe sobre os salários vindo das altas dos alimentos e da energia. Além disso, a atividade manufatureira teve desempenho fraco nas últimas semanas, com a baixa demanda principalmente no segmento de artigos domésticos. Na produção de artigos para exportação, no entanto, a atividade foi positiva, diz o texto.