Título: Ministros pedem mais liberdade na campanha
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/06/2008, País, p. A2

Preocupado com eventuais abusos, Lula ficou de pensar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pressionado, ontem, pelos ministros para liberá-los para as campanhas eleitorais municipais de outubro. Em reunião realizada no Palácio do Planalto, a maioria dos presentes pediu que Lula autorizasse a participação em palanques de todo o país, estabelecendo o mínimo de restrições. Sem consenso, o presidente ficou de pensar e marcar nova reunião ainda esta semana com os ministros.

Durante a reunião houve um racha sobre como deve ser a orientação para a participação dos ministros nas eleições. Um grupo, liderado pelos ministros do Trabalho, Carlos Lupi, das Cidades, Márcio Fortes, da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, dos Trannsportes, Alfredo Nascimento, e dos Esportes, Orlando Silva, defende que se libere sem restrições.

Outro, encabeçado por José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) é favorável às restrições nos Estados de origem de cada um. O presidente reiterou que, por enquanto, não pretende participar das campanhas. Mas um dos seus auxiliares afirmou que essa posição de Lula ainda pode ser alterada. Tanto que Luiz Marinho, ex-ministro da Previdência e pré-candidato a prefeito em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), disse ter esperanças de que o presidente participe de sua campanha.

Cartilha

Interlocutores do presidente afirmam que a tendência é de liberação sem restrições para que os ministros participem das campanhas eleitorais. Mas o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli, foi incumbido por Lula para preparar uma espécie de cartilha. No manual, Toffoli vai colocar de forma clara e objetiva o que a lei permite às autoridades que estão no Executivo durante as eleições.

Múcio pediu para que sejam abertas exceções dentro da regra geral de conduta. Para Múcio, o ideal é que ele participe apenas das eleições em Pernambuco, uma vez que lida diretamente com as relações entre Planalto e Congresso, o que poderia gerar mal-estar entre um e outro aliado.

Segundo interlocutores, Múcio ressaltou, durante a reunião, que em cada município há particularidades envolvendo os partidos que apóiam o governo. Daí sua preocupação em não se envolver em locais que não sejam seus territórios eleitorais.

Brincadeiras

O ministro da Justiça, Tarso Genro, brincou com Lupi durante a reunião. Disse que não se importaria que o colega participasse da campanha do PDT em Porto Alegre (RS). O comentário de Genro só ocorreu porque o PDT em Porto Alegre não lançou candidato, mas vice-prefeito na chapa do PMDB ¿ José Fortunatti.

Já os ministros Marcio Fortes e Alfredo Nascimento destacaram que são favoráveis à ampliação da autorização porque têm correligionários em vários municípios por todo país e não apenas nos seus Estados de origem. Fortes é do Rio de Janeiro, enquanto Nascimento é de Manaus. (Folhapress)