Título: Brasil vai levar Estados Unidos aos tribunais, diz Amorim
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Fonte: Jornal do Brasil, 05/08/2008, Economia, p. A17

O Brasil vai processar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar os subsídios americanos concedidos aos produtores de algodão do país, segundo o Financial Times.

¿ Os EUA são os maiores subsidiários do mundo em termos do que nos afeta, então teremos de levá-los aos tribunais ¿ afirmou o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim ao jornal britânico.

Além dos subsídios agrícolas, o Brasil também vai contestar as tarifas de importação no valor de US$ 0,54 o galão impostas ao etanol brasileiro pelos EUA. Amorim as descreveu, segundo o FT, como discriminatórias. O ministro disse ainda ao jornal que o Brasil e o Canadá prepararam ação conjunta contra os EUA em relação aos subsídios em geral.

O Brasil pedirá autorização da OMC para reclamar mais de US$ 1 bilhão (R$ 1,5 bilhão) em sanções retaliatórias pela recusa dos EUA em remover os subsídios ilegais para seus produtores de algodão.

Na entrevista ao FT, Amorim admitiu estar frustrado com o fiasco da Rodada Doha em Genebra e disse que as conseqüências serão terríveis, como o aumento do número de mortes em decorrência da fome e a desestabilização de mais governos pela inflação desenfreada.

O FT destacou ainda que foi especialmente frustrante para Amorim o fato de o fim das conversas ter sido causado pela recusa da Índia em entrar em um acordo acerca de medidas para proteger seus setores não-agrícolas e pela má vontade da China e até da Argentina, principal parceira do Brasil no Mercosul, em fazer concessões semelhantes em nome de um acordo multilateral.

¿ Talvez alguns desses líderes, avaliando as conseqüências de não ter a rodada, e fazendo algumas concessões mútuas, poderiam perceber que ela seria útil e tentar finalizar as conversas. Mas essa é uma idéia muito ingênua ¿ desabafou ao jornal britânico.

No médio prazo, o Brasil, como parte do Mercosul, vai buscar acordos bilaterais com EUA, UE e outros, de acordo com o FT. O cenário em longo prazo é, segundo Amorim, desolador.

¿ Não que a paz mundial corra risco. O mundo hoje é diferente daquele da década de 1930. Mas muitos países estarão desestabilizados ¿ previu.