Título: PF faz apreensão recorde de munição
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 23/02/2005, País, p. A6

A Polícia Federal deflagrou a Operação Gatilho - com a colaboração com o Exército - e realizou a maior apreensão de explosivos, armas e munições de sua história, uma lista que inclui mais de 1 milhão de cartuchos e pólvora, que encheram três caminhões e duas caminhonetes. Mais de 100 policiais prenderam uma quadrilha de cinco pessoas no Rio Grande do Sul e em Pernambuco, envolvidas com tráfico de munições. A quadrilha abastecia todos os estados do Nordeste. A PF tem indícios de que parte da carga seria distribuída pelo Sudeste, especialmente no Rio e em São Paulo.

Um dos caminhões foi apreendido na noite de segunda-feira, perto de Passo Fundo (RS). Na bagagem, 68.820 cartuchos de calibres 12, 22, 40 e 38. Dois terços da carga não tinham documentação e ficavam no fundo falso do caminhão. Foram presos Humberto Silva e Manuel Santos.

Foi no município gaúcho de Estação - 400km de Porto Alegre -, no entanto, que a PF fez as maiores apreensões. Na fábrica de munições Brustolin & Brustolin, foram apreendidos ontem 970 mil cartuchos, que encheram dois caminhões e duas caminhonetes. A PF recolheu ainda 1,3 mil tubos de pólvora, cada um com 100 gramas, e caixas com 60 mil espoletas. O dono da fábrica, Leando Brustolin, foi preso, sem documentação para manter estocado o arsenal.

As cargas de munições e pólvora ilegais produzidas no Rio Grande do Sul eram enviadas para Antonio Ferreira de Farias, de 55 anos, também preso, em Recife (PE). Antonio é dono de três lojas de caça e pesca, duas em Recife e uma em Timbaúba. As lojas Rei das Armas e Capesca eram uma fachada para a distribuição de munição para quadrilhas do Nordeste.

Nas lojas de Antônio, a PF apreendeu cinco barris de pólvora e muita munição de uso restrito das Forças Armadas. A lista inclui munição de pistolas 9 milímetros e .40, além de armas que estavam nas prateleiras. A PF encontrou ainda munição de fuzis AR-15, arma que quadrilhas do Nordeste têm utilizado em assaltos a bancos.

Um dos intermediários da quadrilha é Paulo Roberto Schilling da Silva, 48 anos, preso em São Leopoldo (RS). Ele trabalha para a empresa Rossi, fabricante de armas. Segundo a PF, a fábrica Rossi não estaria envolvida com a quadrilha. Paulo usou seu conhecimento para intermediar as negociações entre a Brustolin & Brustolin e Antonio Ferreira Farias.

Um dos delegados que coordenou a operação no Rio Grande do Sul, Alexandre Isbarrola afirmou que a PF investigou a quadrilha por seis meses.

- A munição apreendida é para distribuir para o mercado negro. Não adianta o criminoso ter arma se não tem munição - explicou.

Parte do material, segundo Isbarrola, seria distribuído no percurso entre o Rio Grande do Sul e o Nordeste. Os bandidos descarregariam parte da carga ilegal no Rio, São Paulo e Espírito Santo.

Com as prisões e as várias operações de busca e apreensão nas residências e escritórios da quadrilha, a PF inicia novo trabalho de inteligência. A próxima missão é um cruzamento de informações e a identificação da clientela do bando. A delegada Cristiane Barros de Souza, que coordenou a operação em Pernambuco, afirmou que foi localizada uma lista com toda a clientela das lojas Capesca e Rei das Armas.

A Polícia Federal vai realizar ainda um cruzamento de informações entre o material e a documentação apreendida com a quadrilha e os inquéritos que correm contra os bandos de assalto a banco no Nordeste.