Título: Sem-terra mantêm dois reféns no Pará
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 12/02/2005, País, p. A4

Armado com espingardas, foices e facões, um grupo de 50 sem-terra da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) fez, ontem pela manhã, dois reféns no acampamento montado dentro da fazenda Tibiriçá, no município paraense de Marabá (568 km de Belém).

O gerente da propriedade, Raimundo Nascimento Cavalcanti, e o empregado Joilson Pereira da Silva foram dominados pelos trabalhadores, segundo relato feito à Polícia Civil por outros funcionários.

- Vamos ver a veracidade disso e tentar resolver da melhor maneira possível para evitar confronto - afirmou o delegado Manoel Fernandes Paiva.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, Antônio Gomes, negou o seqüestro:

- Os nossos companheiros foram à sede da fazenda e levaram os dois ao acampamento para ter uma conversa, porque eles estavam atrapalhando e ameaçando a gente. Não é seqüestro.

Os dois reféns não chegaram a ser maltratados. Podem até jogar cartas com os acampados, mas ficam proibidos de sair do local.

É o segundo caso de reféns em acampamento de sem-terra da Fetagri na região de Marabá em menos de 20 dias. No fim de janeiro, três trabalhadores ficaram em cárcere privado nas fazendas Rio Verde e Pampulha, em Canaã dos Carajás.

Cerca de 80 famílias de sem-terra estão no acampamento da fazenda Tibiriçá, invadida em abril de 2003. A situação na área é tensa.

- A casa de um trabalhador foi alvejada com tiros no acampamento - diz Gomes.

Segundo o sindicalista, funcionários da fazenda passaram a fazer ameaças quando os sem-terra começaram recentemente a abrir lotes para formar um assentamento.

A propriedade está em disputa na Justiça Federal. Em julho do ano passado, o Exército chegou a ser consultado pela Justiça para fazer a desocupação da área, pois os sem-terra estariam acampados em área federal de preservação permanente. Gomes nega:

- Estamos numa área de curral. Seria a primeira vez que o Exército despejaria sem-terra.

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) recorreu da decisão para as famílias continuarem na área.

Em Quirapá (PE), o advogado dos irmãos José Ricardo e José Sérgio Rodrigues, suspeitos de envolvimento na morte de um policial militar no assentamento Bananeira, no último fim de semana, negou a participação deles no assassinato e disse que José Ricardo estava sendo hostilizado pela coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Segundo o advogado Valdemar Ferraz Jr., José Ricardo havia ameaçado denunciar um suposto desvio de dinheiro para construção de casas no assentamento Gulandi/Guabiraba, em Lagoa dos Gatos, pela coordenação estadual do MST.