Título: Parlamentares mostram-se contrários à idéia
Autor: Correia, Karla
Fonte: Jornal do Brasil, 20/08/2008, Tema do Dia, p. A2

As movimentações da cúpula do governo em torno da criação de uma estatal para controlar a produção e exploração do petróleo encontrado na camada pré-sal da costa brasileira deixaram governistas e oposicionistas em alerta.

Parlamentares reivindicam participar do debate que está concentrado nas mãos da comissão interministerial que prepara um novo marco regulatório para o setor e vão brigar para entrar nas discussões desde o início. Líderes do governo e da oposição já mostram o tom e avisam que a nova estatal encontrará dificuldades. ­

-A Petrobras tem que continuar no centro das decisões ­ diz o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

O líder do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), segue o discurso. Acha que as discussões poderão levar a uma paralisação dos investimentos em prospecção e produção devido à criação de um clima de incerteza e insegurança.

Monopólio

­ - A modificação das regras le- gislativas hoje existentes para a adoção do princípio da partilha e para a criação de uma empresa 100% estatal para explorar o pré-sal tem cunho ideológico e representa o restabelecimento parcial do monopólio estatal que no passado pertencia à Petrobras, o que significa um enorme retrocesso em um setor onde os resultados têm sido tão auspiciosos ­ declarou o progressista.

Deputados e senadores reclamam da forma como o governo trabalha. Acreditam que, primeiro, deveria elaborar uma radiografia do pré-sal para depois discutir a regulamentação do setor. Até agora, pouco se sabe sobre a camada, mas já se fala que todo o pré-sal pode ter até 80 bilhões de barris. ­

-O governo erra ao tratar a questão apenas para regulamentar o setor ­ afirma o deputado Arnaldo Jardim (PPS - SP). ­ Só para disciplinar já existe a Agência Nacional do Petróleo. O governo precisa primeiro definir os papéis de cada um nessa história e o que quer para depois abrir as discussões de uma nova estatal.

Outra crítica que surge é a politização da nova estatal, que, dizem líderes, seria mais um cabide de empregos. ­

- Daqui a pouco têm petistas fazendo fila no Palácio para indicar companheiros ­ ironiza Arnaldo Jardim.