Título: Ministro e 32 policiais demitidos
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/02/2005, Internacional, p. A9

Ação é resposta ao assassinato de Cecilia Cubas

ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, anunciou ontem a demissão do ministro do Interior Nelson Mora e de 32 chefes de polícia, uma semana depois de o corpo de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas, ter sido encontrado, após um seqüestro de 148 dias.

- As medidas que estamos adotando serão para o bem da instituição policial e da nação - justificou Duarte. - Esta será uma punição histórica.

No entanto, o presidente confirmou a manutenção no cargo do chefe da Polícia Nacional, Carlos Zelaya. O delegado recebeu muitas críticas por sua atuação, mas é amigo pessoal de Duarte.

O ministro Mora foi substituído por Rogelio Benítez, prefeito da cidade de Encarnación (Sul). Ele é o quarto a ocupar a pasta do Interior em menos de dois anos.

- Deve-se ter caráter e vontade para operar as mudanças e alcançar a segurança nacional - disse Benítez, ao jurar o cargo.

O seqüestro e assassinato de Cecilia desataram uma profunda crise governamental, por suspeita de envolvimento policial. Entretanto, investigadores apontam seus trabalhos para a participação de militantes de um grupo de esquerda, pertencentes ao partido marxista Pátria Livre, com a colaboração das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em nota, as Farc negaram vínculo com o seqüestro, mas destacaram que não se deve estranhar a presença de materiais da organização no exterior.

Ontem, fazendo coro à investigação paraguaia, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusou o guerrilheiro Rodrigo Granda de planejar o seqüestro de Cecilia.

- Não venham me dizer que por capturar um dos cérebros do assassinato da senhora Cubas estávamos destruindo um acordo humanitário - afirmou o presidente, em resposta à imprensa colombiana, que afirmou que Granda negociava com Paris no momento da captura a libertação da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, em cativeiro há três anos.

As reuniões de diplomatas com Granda foram confirmadas em Paris por Juan Carlos Lecompte, marido de Ingrid, que acrescentou que também participaram das negociações delegados do governo da Suíça.

Mesmo com a evidência de que o guerrilheiro estivesse envolvido no seqüestro, as Farc não estão sozinhas no olho do furacão. Muitas pessoas afirmam que policiais paraguaios tinham conhecimento do cativeiro desde meados de dezembro.

Vários policiais são investigados por indícios de terem ficado com uma parte do resgate de US$ 800 mil, pago em novembro por Raúl Cubas.

Entre os demitidos estão o subcomandante da Polícia Nacional, Néstor Alvarenga, o diretor de Ordem e Segurança, Ricardo Melgarejo, e os chefes de Inteligência e Anti-Seqüestros. Em nota, o presidente acrescentou que ''a limpeza não vai se deter''.