Título: Pouco estudo entre os jovens
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 24/02/2005, Economia, p. A19

Maioria chega ao mercado com ensino básico

Folhapress

A geração que chega agora ao mercado de trabalho, embora tenha freqüentado mais a escola que seus antecessores, tem poucos anos de estudo completos e ''está aquém das crescentes exigências de qualificação de grande parte dos postos de trabalho'', diz o economista João Sabóia, da UFRJ, no estudo Os Jovens no Mercado de Trabalho no Brasil, realizado pelo Instituto de Economia da universidade em parceria com a empresa de recursos humanos Gelre. O relatório mostra que a escolarização entre jovens de 15 a 24 anos aumentou entre 1993 e 2003 no Brasil, mas a média de estudo ainda é baixa.

Embora tenha crescido de 61,9% para 82,4% a proporção de adolescentes de 15 a 17 anos na escola e de 18,3% para 26,8% a fatia de jovens entre 20 e 24 anos estudando, o número médio de anos de estudo completos para essa faixa dos 20 e poucos anos, no Brasil, ainda era de 8,5 anos em 2003. Ou seja, minimamente acima dos oito anos requeridos para completar apenas o nível fundamental.

- A defasagem ou atraso escolar é um traço marcante do sistema educacional brasileiro - diz o estudo.

Além disso, o trabalho mostra que a defasagem é muito maior entre pardos e negros. Embora a diferença nas taxas de escolarização para os brancos seja pequena - 85,6% de brancos na escola entre 15 e 17 anos, contra 79,2% de pardos e negros -, na faixa de 15 a 17 anos a maior parte desses jovens ainda está no primário (58,8%, contra 40,6% no ensino médio). Entre os brancos, 64,7% cursavam alguma série do ensino médio, contra 34% ainda no ensino fundamental.

Entre 20 e 24 anos, há 29% de negros e pardos ainda cursando o ensino fundamental e outros 42,9% no ensino médio. Apenas 21,6% freqüentavam a universidade. Entre os brancos na escola desse grupo de idade, 61,4% faziam curso superior; 23,1%, o ensino médio; e apenas 10,1% o nível fundamental.