Título: Norueguês alerta para risco de politização
Autor: Correia, Karla
Fonte: Jornal do Brasil, 29/08/2008, Economia, p. A18

O presidente da norueguesa Norse Energy, Kjetil Solbreakke, disse ontem que o pré-sal é uma grande oportunidade para o Brasil dar um salto de qualidade, porém destacou que uma politização do debate sobre mudanças no marco regulatório pode destruir a chance de um desenvolvimento sustentado nos próximos anos.

¿ Espero que essa discussão política, que entendo ser muito importante, não destrua essa oportunidade que o país tem. Nunca vi oportunidade para que um país desse um passo tão grande ¿ afirma.

O executivo estima que o pré-sal brasileiro tenha reservas maiores do que as do Golfo do México e disse que há três anos já fazia projeções otimistas para as reservas brasileiras

¿ Não há dúvidas que a produção offshore (no mar) brasileira vai ser mais importante que a do Golfo do México ¿ aposta.

Solbreakke defendeu o atual marco regulatório para a exploração no pré-sal, ao lembrar que regra brasileira é similar à da Noruega.

¿ Lá há uma diversidade de empresas e o Estado controla uma empresa estatal ¿ ressalta Solbreakke, ao destacar que na Noruega também se adota do regime de concessão de blocos, sendo que a Petoro, estatal do país, controla despesas e receitas extraordinárias.

¿ Qualquer mudança não seria na direção do sistema norueguês, que é algo que já existe no Brasil ¿ explica.

A Norse Energy está no Brasil desde 1999 e projeta que os investimentos no país poderão superar US$ 1 bilhão entre 2009 e 2014.

BNDES

O governo está fazendo uma radiografia da cadeia produtiva do petróleo com o objetivo de garantir o fornecimento de equipamentos e matérias-primas necessários para a exploração da camada pré-sal.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é o responsável por apresentar o levantamento aos demais integrantes da comissão interministerial que debate a possível mudança das regras do setor. As sugestões serão entregues ao presidente Lula em setembro.

Coutinho já sabe que alguns equipamentos podem faltar. Tem também uma conta preliminar sobre o valor dos investimentos necessários pelos fornecedores da Petrobras e das outras empresas do segmento, mas recusou-se a revelá-lo, pois alega estar incompleto.