Título: Recorde da Bovespa ajuda a derrubar dólar
Autor: SILVIA ARAÚJO
Fonte: Jornal do Brasil, 12/02/2005, Economia, p. A18

A tendência de queda do dólar ganha mais um ingrediente para alimentá-la. Conforme observação de alguns analistas, o aumento expressivo no giro financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nos últimos dias, é patrocinado pelo fluxo de recursos estrangeiros. Ontem, a Bovespa girou R$ 2,103 bilhões. Foi o maior giro financeiro dos últimos anos, sem considerar os pregões onde o volume aumenta em razão de eventos como vencimento de opções, Ibovespa futuro e ofertas públicas.

A bolsa paulista, no entanto, reconheceu o volume de ontem como o maior desde oito de outubro do ano passado. Naquele dia, porém, R$ 1,4 bilhão do total de R$ 2,6 bilhões, corresponderam à recompra de ações do grupo Vivo. Com o movimento da sexta-feira, o Ibovespa estabeleceu um novo recorde ao situar-se em 26.671 pontos, com alta de 0,96%.

Com esse ingresso constante de divisas, nem mesmo as atuações do Banco Central estão conseguindo segurar a valorização do real frente ao dólar. A moeda norte-americana ensaiou um movimento de alta na abertura dos negócios que não se sustentou ao longo do dia pressionada apelo fluxo de recursos. Ao verificar o insistente recuo da cotação, o BC rapidamente aceitou dez propostas das instituições financeiras e comprou moeda a R$ 2,601.

No final das transações, o dólar valia R$ 2,605 no mercado à vista, com desvalorização de 0,53%. No mercado externo, a taxa de risco brasileira, medida pelo Embi+ do JP Morgan, recuou para 403 pontos. O C-Bond, principal papel da dívida, era cotado a 103,25% do valor de face.

No mercado de renda fixa, as projeções para as taxas de juros, embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros, recuaram no longo prazo e mantiveram a expectativa de juro mais alto para os períodos mais curtos.