Título: Documento divulgado detalha os casos mais graves
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/09/2008, País, p. A13

São Paulo

Alguns casos que ganharam repercussão internacional também ocupam as páginas do relatório da ONU. Um deles são das mortes de 124 pessoas após os ataques terroristas orquestrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em maio de 2006 no Estado de São Paulo. Segundo o relatório, essa foi a resposta do governo do Estado às rebeliões em presídios, ataques e assassinatos.

"A polícia respondeu aos ataques matando 124 suspeitos de pertencerem ao PCC que não foram registrados nem investigados como homicídios e sim como "resistência seguida de morte", uma prática que deveria ser abolida. Qualquer assassinato cometido pela polícia deve ser tratado da mesma maneira como são tratados os outros assassinatos", diz o documento.

Outro caso é o de Pernambuco. Os chamados esquadrões da morte respondem por 70% dos assassinatos ocorridos no Estado. Do total de grupos de extermínio 80% envolvem policiais ou ex-integrantes da polícia.

Recomendações

Entre as sugestões dadas aos governantes e responsáveis pela segurança pública em todas as esferas, o relatório menciona que é necessário se criar tolerância zero em relação ao uso excessivo de força.

Nem a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) escapa das críticas. O conselho recomenda que a pasta crie e mantenha um banco de dados sobre violações de direitos humanos cometidas pelas polícias.

Acabar com a separação entre policias Civil e Militar, reforçar os trabalhos das Corregedorias, mudar os registros de "autos de resistência" e "resistência seguida de morte" e aumento de salários aos policiais são outras recomendações constantes, segundo o texto. (Folhapress)