O Estado de S. Paulo, n. 48022, 10/04/2025. Internacional, p. A15
Lula defende mais autonomia e integração regional
Felipe Frazão
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu ontem a aceleração da integração regional entre países da
América Latina e Caribe, durante discurso na cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), em Honduras.
Diante de uma profunda divisão política e sob o choque das medidas do presidente americano, Donald Trump, Lula propôs que os líderes da Celac “deixem as diferenças de lado” e coordenem sua inserção no mundo para que não se vejam estagnados em uma zona de influência do que chamou de “novas e velhas potências”.
“A história nos ensina que guerras comerciais não têm vencedores”, afirmou Lula, que elaborou um discurso para responder às ações de Trump que mais afetaram a região: as deportações em massa de imigrantes e o tarifaço comercial – e compartilhar a visão de que há em curso a formação de uma nova ordem global, tendo como potências China e EUA.
MULTILATERALISMO. Criada em 2011, arquitetada pelo então presidente venezuelano Hugo Chávez, a Celac é composta por 33 membros. O bloco, segundo Lula, deveria atuar de maneira autônoma da influência dos países centrais. “A ingerência de velhas e novas potências foi e é uma sombra perene ao longo desse processo”, disse. “A liberdade e a autodeterminação são as primeiras vítimas de um mundo sem regras multilateralmente acordadas. Migrantes são criminalizados e deportados sob condições degradantes. Tarifas arbitrárias desestabilizam a economia internacional e elevam os preços.”
Outra direção Ausentes da cúpula, presidentes da Argentina e do Paraguai se reuniram ontem em Assunção
Ontem, Lula prescreveu a intensificação da integração comercial e econômica dos países da Celac como forma de se “proteger contra ações unilaterais”. O presidente brasileiro citou que o comércio do Brasil com os países da América Latina e do Caribe é de US$ 86 bilhões por ano, maior do que o volume comercial com os EUA.
Ausentes da cúpula, os presidentes conservadores da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña, se reuniram ontem em Assunção, o terceiro encontro do argentino com o paraguaio e a primeira visita oficial de Milei a um país do Mercosul – ele tem evitado se reunir com Lula e com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi.
ROMPIMENTO. A viagem a Assunção ocorreu às vésperas da reunião de chanceleres do Mercosul, marcada para amanhã em Buenos Aires. No encontro, o governo argentino deve defender sua proposta de firmar acordos comerciais fora do bloco. Milei afirmou que está disposto a retirar a Argentina do Mercosul, caso necessário, para concluir um tratado de livre-comércio que já estaria sendo negociado com os EUA. •