O GLOBO, n 32.324, 05/02/2022. Economia, p. 18
Petrobras vende fábrica de fertilizantes a grupo russo
Eliane Oliveira
Acron terá que terminar a construção da unidade. Negócio foi anunciado ontem e integra agenda de Bolsonaro na Rússia
O grupo russo Acron vai comprar a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3) da Petrobras, que fica em Três Lagoas (MS).
A venda foi anunciada ontem na Câmara de Vereadores do município pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e confirmada pela Petrobras em comunicado. A ministra disse ter recebido a notícia quando chegou à cidade, pelo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
LONGA NEGOCIAÇÃO
Segundo ela, a venda da fábrica de fertilizantes da Petrobras para a Acron estava sendo discutida há algum tempo e é um dos principais pontos da agenda do presidente Jair Bolsonaro em sua viagem a Moscou.
— A agricultura brasileira vai ganhar muito com a implantação dessa fábrica, que produzirá nitrogenados e ureia, e vai reduzir nossa dependência da importação desses nutrientes —afirmou Tereza Cristina.
A Petrobras informou que a assinatura do contrato depende de "tramitação na governança da Petrobras, após as devidas aprovações governamentais”, e que “reforça o seu compromisso com a ampla transparência de seus projetos de desinvestimento e de gestão de seu portfólio e informa que as etapas subsequentes do projeto serão divulgadas de acordo com a Sistemática de Desinvestimentos da companhia”.
A Acron terá de concluir a construção da fábrica, cujas obras estão paradas desde dezembro de 2014. A Petrobras colocou a unidade à venda em 2017, com o objetivo de sair da área de fertilizantes. A estatal tem levado adiante um plano de desinvestimento para se concentrar na exploração de petróleo, principalmente do pré-sal. O grupo russo, grande produtor e exportador de fertilizantes, chegou a demonstrar interesse, mas desistiu, devido à dependência do fornecimento de gás natural pela Bolívia.
Em uma rede social, Bolsonaro destacou que a UFN3 começou a ser construída em 2011 e que a Petrobras investiu ali R$ 3,8 bilhões. Porém, segundo Bolsonaro, a obra foi paralisada por má gestão.
“Dez anos depois a Petrobrás anuncia sua venda para a iniciativa privada. Brevemente produzirá fertilizantes para a agricultura, diminuindo nossa dependência externa”, escreveu.