Correio Braziliense, n. 22664, 09/04/2025. Economia, p. 10
Preço de combustível pode cair
A queda recente na cotação do petróleo no mercado internacional abre possibilidade de um corte no preço dos combustíveis por parte da Petrobras, conforme avaliou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O preço do barril do petróleo do tipo Brent, usado como padrão internacional, saiu do patamar de US$ 70 por barril, na última semana, para US$ 62,33 nesta terça-feira.
Levantamento divulgado pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontou que o preço praticado pela Petrobras está a R$ 0,12 da paridade no caso da gasolina e R$ 0,13 no diesel. “Considerando o preço do (petróleo) Brent desta semana, naturalmente temos um preço que tem todas as condições de ser reduzido”, disse Silveira a jornalistas após sua participação no Gás Week, evento realizado em Brasília, voltado ao setor de gás natural.
O ministro atribuiu o movimento às medidas protecionistas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. “É importante dizer que o preço que está refletido essa semana no Brent leva muito em consideração as loucuras cometidas pelo presidente dos Estados Unidos, que a gente respeita, desde que ele se atenha à governança do seu país. Agora, o que ele está criando realmente é uma instabilidade global que, com certeza, pode deixar consequências”, avaliou.
Devido à conjuntura econômica instável, o ministro defendeu uma melhor análise da Petrobras sobre o preço dos combustíveis, assim que os valores estejam estabilizados. “Tenho certeza, a presidente da Petrobras, a companheira Magda (Chambriard), é muito diligente, muito responsável. É uma pessoa serena, equilibrada, uma pessoa que compreende bem a importância de se equilibrar entre os interesses nacionais e interesses dos acionistas”, afirmou.
Efeito Trump
Para André Passos Cordeiro, coordenador-geral do Fórum do Gás, os efeitos da taxação de Trump no setor ainda são incertos.
“Com certeza, aumenta a volatilidade e a incerteza sobre o gás natural do mundo. E o Brasil, como um produtor e um detentor de grandes reservas de gás natural, não pode ficar dependente do mercado de GNL (Gás Natural Liquefeito) no mundo”, afirmou.
Quatro anos após a aprovação da Nova Lei do Gás, o setor considera que a abertura do mercado brasileiro ainda não se concretizou como esperado. “Temos que, definitivamente, criar as condições para uma oferta suficiente e para um preço de gás natural competitivo para a indústria brasileira no nosso país”, acrescentou Cordeiro.
Sancionada em 2021, a Lei do Gás trata do transporte, tratamento, processamento, estocagem, liquefação, regaseificação e comercialização de gás natural no país.