Correio Braziliense, n. 22668, 13/04/2025. Economia, p. 8
Distribuidoras testam novos planos tarifários
Rafaela Gonçalves
Rio de Janeiro O modelo de fatura para os consumidores de energia elétrica deve passar por uma verdadeira revolução nos próximos anos. Habituados a receber e pagar mensalmente as contas de luz conforme o consumo registrado nos medidores instalados nas residências, os clientes terão a oportunidade de escolher o seu modelo de cobrança, com opções entre tarifas fixas, por demanda e horário, e até mesmo pré-pagas.
As distribuidoras de energia iniciaram, em novembro do ano passado, testes de novos planos de tarifas, com o objetivo de trazer mais flexibilidade e economia a diferentes perfis de consumidores.
O sandbox tarifário será repassado para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a expectativa é de que em 2027 os consumidores já possam escolher o modelo de cobrança da sua tarifa de energia.
Em conversa com o Correio, o gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Lindemberg Reis, deu detalhes sobre o cronograma de testes, que deve ser implementado até o fim deste semestre.
“Ao todo, são nove projetos, bem distintos entre si. Você tem desde modalidades mais simples, como, tarifa fixa, que está sendo testada, que será testada em algumas concessões do grupo Energisa”, explicou o gerente, que afirmou que os consumidores passarão a experimentar um modelo parecido com os da telecomunicações, que teve abertura de mercado em 1997. “Eu acredito muito que teremos um menu de opções tarifárias”, disse.
O projeto da Energisa prevê, por exemplo, uma tarifa apurada em períodos de três, seis e nove meses.
“Se o consumidor pagar a mais, ele terá crédito. Se pagar a menos, terá que efetuar o pagamento e calibrar o consumo. Esse é um tipo de Distribuidoras testam novos planos tarifários experimento”, destacou.
O grupo controla 11 distribuidoras, localizadas nos estados de Minas Gerais, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Paraná, São Paulo, Rondônia e Acre.
Esses projetos piloto estão sendo tocados em três concessões, na Sul-Sudeste, no Tocantins e na Paraíba.
Multipartes
A distribuidora paranaense Copel deve ativar seu primeiro sandbox tarifário em maio, focado em tarifas multipartes — fixa, por demanda e horário. Os testes consideram a variação de custo ao longo do dia, com o consumidor podendo economizar nos horários de baixa demanda, quando os custos são menores.
O segundo teste da distribuidora paranaense deve começar em julho e tem como objetivo estimular o abastecimento de carros elétricos no período da madrugada. Nesse experimento, a empresa deve avaliar ainda a adoção da fatura digital.
Outro tipo de experimento, que já é muito conhecido na telecom, é o pré-pagamento. “Não existe pré-pagamento hoje de energia no Brasil. Mas isso vai possibilitar, por exemplo, que usuários de menor poder aquisitivo, principalmente, possam colocar créditos de acordo com seu poder aquisitivo”, contou Reis.
Segundo o gerente da Abradee, ainda em junho devem entrar em campo a tarifa flex, da Enel, que prevê que a conta de energia resulte de uma combinação entre consumo (75% do valor), demanda (20%) e um indicador fixo (5%). No mesmo mês, também terá início os testes de três tipos de tarifas pela EDP, em uma amostra de consumidores de São Paulo.
A tarifa binômia é um modelo de cobrança de energia elétrica que separa o custo em duas partes: um fixo e outro variável, proporcional ao consumo de energia. Atualmente, ela é aplicada a consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes comércios. Já a tarifa trinômia é um modelo tarifário de energia elétrica que cobra uma terceira componente fixa, além das outras duas da tarifa binômia.
A parcela fixa é cobrada de todos os consumidores, independentemente da classe ou faixa de consumo.