O GLOBO, n 32.334, 15/02/2022. Política, p. 6
União Brasil, MDB e PSDB debatem nome para o Planalto
Julia Lindner
Partidos consideram difícil formar uma federação e discutem hoje uma candidatura única para a Presidência da República
Presidente do União Brasil, Luciano Bivar afirmou ontem que pretende discutir com os dirigentes do MDB e PSDB a possibilidade de um “pacto” por uma candidatura que represente os três partidos na eleição presidencial. O encontro entre as siglas está previsto para hoje.
A aliança é uma alternativa à federação partidária, que será o tema principal da conversa, mas é vista nos bastidores como difícil de prosperar por forçar as legendas a continuarem juntas pelos próximos quatro anos.
— Amanhã vamos estar juntos, os três partidos, e vamos discutir uma federação. Não sendo possível a federação, vamos fazer um pacto de caminhar os três juntos para definir em um futuro próximo uma candidatura única —disse Bivar, ao GLOBO.
A federação é um tema sensível para o União Brasil, já que o partido é resultado da recente fusão entre DEM e PSL. Além de ter caráter definitivo, a fusão demanda alguns sacrifícios e ajustes internos para contemplar diferentes interesses.
—O tema federação é um desafio muito grande para o momento em que o partido ainda está consolidando seus diretórios estaduais. O cenário de trabalhar uma aliança a partir de abril, após a janela partidária, é mais provável do que insistir em uma federação com todos os seus ônus e bônus — afirmou o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).
O MDB lançou a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS) à Presidência, enquanto o PSDB escolheu em prévias o governador de São Paulo João Doria.
Bivar não descartou que o União Brasil também tenha uma opção de candidato, mas evitou falar em nomes específicos.
— Temos muitos quadros no União, não falta gente boa —limitou-se a dizer.
Em entrevista ao GLOBO, na semana passada, Simone Tebet afirmou que não é do perfil do MDB fazer uma federação, mas que a sigla poderia “abrir uma exceção” ao União Brasil porque os partidos não rivalizam nos palanques regionais.
O MDB demonstra resistência, no entanto, em fazer uma aliança com o PSDB, tanto para uma eventual federação quanto por um possível apoio ao governador de São Paulo.
Um dos argumentos é que Doria possui alta rejeição não só em pesquisas de intenção de voto, mas também dentro do partido. Por ser menos conhecida pela população, Simone é apresentada pela sua legenda como alguém com mais chances de prosperar.
Recentemente, o senador José Aníbal (PSDB-SP) defendeu o nome de Simone, em entrevista ao GLOBO, como o mais viável para quebrar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Outra figura histórica do PSDB que defende o nome da emedebista té o senador Tasso Jereissati (CE).
Os dois tucanos chegaram a manifestar entusiasmo pela candidatura da senadora durante visita ao ex-presidente Michel Temer, em janeiro.
A postura de Doria também incomoda emedebistas. Um dos fatores de desgaste foi o fato de a enfermeira Mônica Calazans — a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil — que iria se filiar ao MDB, ter optado pelo PSDB por interferência de Doria, conforme revelou o jornal “Folha de S. Paulo”. Apesar do episódio ter sido visto como algo menor, uma ala do partido considera que ele expõe o perfil do governador de São Paulo e as dificuldades no relacionamento.
No União Brasil, algumas lideranças consideram mais cômodo apoiar o nome de Simone, . Ainda assim, muitos temem que a candidatura não decole.