Correio Braziliense, n. 22696, 11/05/2025. Política, p. 5
"Queremos paz"
Victor Correia
Francisco Artur de Lima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou, ontem, em Moscou, a posição do Brasil em defesa da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia. O petista cumpriu agenda na Rússia nesta semana, onde, além de ter participado de uma reunião bilateral com o presidente Vladimir Putin, assistiu, na última sexta-feira, ao desfile de celebração dos 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial contra os nazistas, ao lado de Nicolás Maduro, da Venezuela, e Xi Jinping, da China. Leia mais sobre o Dia da Vitória na página 6 O fato de Lula figurar como o único líder democrata a participar daquele festejo levantou questionamentos sobre se tal postura não abalaria o papel de “negociador” em relação à Ucrânia. Além disso, o presidente brasileiro foi perguntado se sua presença no desfile da Vitória não seria uma propaganda para Vladimir Putin, ao que respondeu tratar-se de uma visão politicamente “pequena”. “Se o Brasil fizer uma festa sobre qualquer coisa, então, isso será uma exploração política? É pequenez pensar assim sinceramente é pequenez pensar assim”, respondeu.
“Queremos paz e discutimos com o presidente Putin que nós queremos paz e que é importante a paz. É importante a paz para Rússia, é importante para a Ucrânia”, enfatizou o presidente.
China
Ao deixar Moscou, a comitiva do presidente viajou rumo a Pequim, onde ele inicia amanhã uma série de compromissos oficiais. Trata-se da terceira visita de Estado trocada entre Lula e o líder chinês, Xi Jinping, desde o início do mandato — marcando a aproximação entre os dois países. O Brasil vê na China uma forte oportunidade para diversificar suas relações comerciais e diminuir a dependência dos Estados Unidos, que causou insegurança em todo mundo com o anúncio do tarifaço pelo presidente Donald Trump. O tema foi central também na última viagem do petista à Ásia, quando esteve no Japão e no Vietnã, em março deste ano.
O primeiro compromisso de Lula ocorre na tarde de segunda-feira, com o encerramento do Seminário Empresarial China-Brasil. O evento será realizado em um hotel da capital chinesa, com cerca de 400 empresários de cada país, além de ministros e autoridades. A ex-presidente da República e atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Dilma Rousseff, também estará presente. Segundo o Itamaraty, uma das prioridades da visita à China é justamente atrair mais investimentos e explorar oportunidades de exportação para o mercado chinês, que compete pela liderança com o mercado dos EUA em tamanho.
“A China despontou como um grande importador de produtos brasileiros, e a gente tem um superavit com a China que, obviamente, ninguém vai achar ruim. O que nós queremos é diversificar a nossa relação, nossa pauta exportadora e diversificar os investimentos e as parcerias com a China, procurando atraí-la para esse projeto de neoindustrialização, de capacitação tecnológica e transição energética. Isso nós fazemos com a China e fazemos com outros países”, declarou o secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Eduardo Saboia, em conversa com jornalistas.
Apesar de Trump ter suspendido temporariamente a vigência do tarifaço, enquanto negocia com cada país afetado, a crise gerou temor no mundo e uma busca por alternativas. A China procura novos fornecedores para os produtos que importa dos Estados Unidos, especialmente os agrícolas, e isso pode provar ser uma grande oportunidade para o Brasil. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, com um fluxo de US$ 188,17 bilhões em 2024, aumento de 3,5% em relação ao ano anterior. O superavit para o lado brasileiro foi de US$ 51,1 bilhões, principalmente pela exportação de produtos agrícolas.