Correio Braziliense, n. 22698, 13/05/2025. Política, p. 4

Oposição protocola CPMI no Senado
Wal Lima
Maiara Marinho



A oposição protocolou, ontem, no Senado, um pedido de abertura de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar as fraudes no INSS. A solicitação foi apresentada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT).

A instalação da comissão depende de o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ler o requerimento de abertura em plenário. Se for instaurada, será formada por 15 senadores e 15 deputados.

A iniciativa foi a forma encontrada pela oposição para driblar a fila de CPIs da Câmara — na Casa, o pedido de uma comissão para apurar as fraudes entrou numa fila onde já existem 13 outros pedidos, sobre os mais diversos temas, que aguardam análise desde 2023.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara e do Senado, apenas cinco comissões desse tipo podem funcionar simultaneamente — e, no momento, nenhuma está em atividade na Câmara.

Já no Senado, duas CPIs estão em funcionamento: a da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas e a da Violência Doméstica, que investiga a atuação ou omissão do poder público na aplicação das leis de proteção às mulheres.

“A esquerda está dizendo que tudo é culpa de Bolsonaro, por que vocês não assinaram a CPMI? Então, nós vamos deixar aqui um convite: vocês, parlamentares de esquerda, se a culpa é de Bolsonaro, assinem para investigar Bolsonaro. É estranho eles (parlamentares de esquerda) dizerem que começou no governo anterior, e não querem assinar a CPMI”, questionou Damares, em live nas redes sociais.

O requerimento tem 223 assinaturas na Câmara e 36 do Senado, superando o número mínimo exigido: 171 deputados e 27 senadores. Parlamentares da base do governo assinaram o documento. Entre eles, 11 são deputados do MDB, 11 do PSD, 13 do Republicanos, 14 do PP e dois do PSB — uma das assinaturas é da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

“É evidente que estamos diante de um esquema de corrupção gigantesco e covarde, que saqueou os mais pobres do nosso país”, enfatizou Tabata.