O Estado de S. Paulo, n. 48100, 27/06/2025. Internacional, p. A14
Embaixador indica que presidente iraniano virá para cúpula no Rio
Felipe Frazão
O embaixador do Irã em Brasília, Abdollah Nekounam, indicou ontem que o presidente Masoud Pezeshkian virá ao Brasil para a cúpula do Brics, nos dias 6 e 7, no Rio. Havia dúvidas sobre sua presença em razão da guerra com Israel e dos ataques às instalações nucleares pelos EUA. O cessar-fogo anunciado na noite de segunda-feira abriu caminho para a visita.
Segundo o embaixador, o governo iraniano está dando sequência à programação da visita, a prime irade Pez eshkian.Dipl omatas do Brasil consideram a viagem complexado ponto de vistada segurança, mas integrantes da diplomacia iraniana sinalizaram reservadamente acreditar que não haverá problemas. A reabertura total do espaço aéreo do Irã para voos comerciais, algo esperado para ocorrer nos próximos dias, deve ser um indicativo de que a viagem ocorrerá.
FÓRUM. Pezeshkian pode usar a reunião do Brics no Brasil como plataforma para falar sobre o conflito contra Israel e EUA. Se o presidente não vier, será representado pelo chanceler iraniano, Abbas Aragchi, que tem sido o porta-voz do país nos últimos dias em viagens internacionais a locais próximos, entre eles Rússia e Turquia. Caso venha ao Brasil, o presidente iraniano deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez.
O embaixador iraniano agradeceu ontem a Lula pela manifestação em defesa do Irã, condenando com veemência os ataques, e também a nota do Brics subsequente. O tom do governo brasileiro foi considerado, pelo regime iraniano, mais duro do que o adotado pelo próprio bloco e em detrimento das relações entre Brasil e EUA.
INTEGRAÇÃO. O Irã faz parte do Brics desde o ano passado, quando Pezeshkian participou de sua primeira cúpula, em Kazan, na Rússia. O regime foi convidado a integrar o grupo em 2023. Na ocasião, o então presidente do Irã, Ebrahim Raisi, compareceu à cúpu
Diplomacia Embaixador agradeceu manifestação de Lula em defesa do Irã, condenando os ataques ao país
la de Johannesburgo, na África do Sul, e se reuniu com Lula. Raisi morreu em um acidente de helicóptero, em maio do ano passado, e Pezeshkian foi eleito presidente dois meses depois.