VALOR ECONÔMICO, n 5415, 12/01/2022, Brasil, A2
Servidores do BC ameaçam greve em fevereiro por reajuste salarial
Estevão Taiar e Luísa Martins
Sem proposta concreta de reajuste após uma reunião com o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) anunciou que não está descartada “greve por tempo indeterminado” a partir de fevereiro, caso as negociações não avancem.
Outras categorias do funcionalismo engrossam a pressão sobre o governo, que, em ano eleitoral, decidiu conceder aumento apenas para servidores das carreiras de segurança pública, excluindo as demais. A reserva é de R$ 1,7 bilhão.
O Sinal divulgou um comunicado afirmando que a reunião de seus representantes com Campos Neto “foi amistosa e propositiva”, mas que não foi garantida a recomposição salarial. “[Houve] somente declarações de intenções: ‘vamos tentar’, ‘vamos conversar’”, diz o texto.
Segundo o sindicato, quase 2 mil funcionários em cargos comissionados já entregaram seus postos em protesto pelas assimetrias salariais. “Esperamos que, ainda em janeiro, haja nova reunião com o presidente do BC e que nela haja uma proposta concreta. Caso contrário, passaremos a debater a proposta de greve por tempo indeterminado.”
A entidade afirmou que está mantido o plano de participar da mobilização prevista para a próxima terça-feira, dia 18. O mesmo foi decidido pela Associação dos Analistas de Comércio Exterior (AACE), em assembleia realizada ontem para discutir o tema.
Caso não evoluam as tratativas com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a AACE também planeja aderir à greve geral de fevereiro e cogita entregar cargos comissionados atualmente ocupados por seus analistas.
No fim do ano passado, a pedido do Ministério da Economia, o Congresso aprovou o Orçamento de 2022 com um valor bilionário para reajuste de servidores da segurança pública. Insatisfeitas por não terem sido contempladas pela previsão, as demais categorias do funcionalismo ameaçam uma paralisação geral de suas atividades.
O presidente da AACE, Guilherme Rosa, disse que desde 2019 os analistas de comércio exterior têm tido perdas salariais, diante do impacto negativo acumulado no poder de compra.
Segundo a associação, Rosa tem buscado “diálogo interno com os dirigentes do Ministério da Economia e a articulação com outras entidades representativas das carreiras federais”.
No sábado, Bolsonaro disse a jornalistas, após uma reunião com o advogado-geral da União, Bruno Bianco, que “não está garantido o reajuste para ninguém”. Os policiais, que contavam com a promessa do presidente, já falam em “traição”.
Guedes voltou das férias em meio a essa pressão. Auditores da Receita Federal entregaram seus cargos comissionados na semana passada. Ontem, mais de 1,2 mil funcionários estavam parados, pleiteando a regulamentação de um bônus de eficiência.