Correio Braziliense, n. 22703, 18/05/2025. Economia, p. 7

Restrições pelo Brasil afora


A confirmação do primeiro foco de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, provocou uma reação imediata das autoridades sanitárias em diversos estados brasileiros. Como medida de contenção, o Brasil está ampliando a vigilância epidemiológica e reforçando as barreiras sanitárias, especialmente em regiões com grande concentração de aves comerciais ou com proximidade geográfica ao foco da doença.

No Mato Grosso, o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) intensificou neste fim de semana a fiscalização em propriedades rurais com aves de subsistência e em granjas comerciais.

A medida inclui o aumento na coleta de amostras biológicas, como suaves e soros, de galinhas, patos, perus e gansos, visando rastrear possíveis sinais do vírus.

“Além disso, a fiscalização nas barreiras sanitárias foi reforçada, com maior atenção a veículos que transportam produtos ou animais oriundos da região Sul, onde foi detectado o foco da doença”, afirmou o diretor técnico do Indea, Renan Tomazele. O estado conta com 262 médicos veterinários treinados para lidar com suspeitas de enfermidades de impacto na produção animal.

Desde 2023, com a confirmação de IAAP na Bolívia — que faz fronteira com o estado —, o Mato Grosso já vinha adotando uma postura preventiva. Entre janeiro de 2024 e abril de 2025, o Indea realizou mais de 15 mil ações de vigilância baseadas em risco, incluindo visitas a propriedades rurais e coletas de mais de 4.900 amostras em aves de produção comercial e de fundo de quintal.

Embora não haja registro da doença no estado, a preocupação é grande. Mato Grosso tem atualmente um plantel de 37,2 milhões de aves comerciais e ocupa a 8ª posição entre os maiores exportadores de carne de frango e a 4ª de ovos do país.

Tomazele enfatizou que os consumidores não devem deixar de consumir ovos ou carne de frango, já que os produtos seguem rigorosos protocolos de inspeção sanitária. “Não há risco à saúde humana com o consumo desses alimentos, desde que estejam bem cozidos”, reforçou.

Prevenção

Em Minas Gerais, o governo anunciou o descarte preventivo de 450 toneladas de ovos fecundados oriundos de uma granja em Montenegro (RS), onde o foco da doença foi detectado. A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa -MG) informou que novos descartes poderão ocorrer nos próximos dias, conforme avançarem as investigações e o rastreamento dos lotes.

“Os ovos descartados são férteis, destinados à produção de aves e não ao consumo. A medida visa evitar qualquer risco de disseminação da gripe aviária no território mineiro”, afirmou a pasta, em nota. Minas é o segundo maior produtor de ovos do Brasil e o quinto em produção de galináceos, o que torna o estado estratégico no enfrentamento à ameaça sanitária.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) também está atuando com políticas de prevenção e controle, reforçando ações de biossegurança, educação sanitária e monitoramento em criatórios de subsistência.