Correio Braziliense, n. 22704, 19/05/2025. Economia, p. 8

Autoridades e produtores se unem
Fernanda Strickland


Com a pressão internacional aumentando após a detecção de um foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o Brasil corre contra o tempo para conter os efeitos sanitários e econômicos do surto. Os governos federal, estadual e municipal, em parceria com produtores e entidades, intensificaram as ações de contenção à disseminação da gripe aviária — Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) — e preservar a imagem do país como um dos maiores exportadores mundiais de proteína animal.

Os empresários do setor ainda calculam o tamanho do prejuízo, e já se reuniram com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, para apresentar as providência e pedir apoio.
No município de Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram montadas sete barreiras sanitárias no esforço de isolar o foco identificado, impedindo o avanço do vírus para outras regiões.

Ao Correio, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, disse que as medidas seguem os protocolos internacionais e nacionais. “As providências vão desde o reforço da biosseguridade das granjas até planos alternativos de vendas”, disse. “As barreiras sanitárias fazem parte dos protocolos do plano nacional de sanidade, conduzido pelo Ministério da Agricultura e em colaboração com a Secretaria da Agricultura do Estado.”

Por ora, Santin disse que não é possível calcular os prejuízos, embora sejam verificados impactos diretos e danosos, como a suspensão temporária de importações da China, da União Europeia, do México, da Argentina, do Chile e do Uruguai. “Haverá, sim, algumas diminuições de fluxo de logística. Muitos mercados suspendem, mas outros permanecem abertos. Há o chamado redirecionamento de produtos”, observou. Segundo ele, o acordo sanitário internacional permite a continuidade das exportações de áreas livres da doença fora do raio de 10 quilômetros do foco.

Reunindo 140 empresas, entre elas a JBS, a ABPA articula alternativas para escoar a produção, com estratégias que incluem o armazenamento temporário e a venda para mercados que seguem abertos, como outros países da Ásia e da África. “As providências vão desde o reforço da biosseguridade das granjas até planos alternativos de vendas”, completou Santin, que também ressaltou o apoio direto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no enfrentamento do surto.

Sob controle

No Vaticano para a cerimônia de entronização do papa Leão XIV, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, demonstrou otimismo e crê que, em breve, o impasse seja solucionado. “O surto está sob controle, restrito ao município do Rio Grande do Sul, e todas as medidas foram tomadas pelo Mapa para conter o vírus”, afirmou. Ele reiterou também que o governo brasileiro cumpre rigorosamente os protocolos sanitários internacionais, permanecendo como referência global em segurança sanitária animal e vegetal.

Mesmo com as garantias oficiais, especialistas alertam para a necessidade de vigilância máxima e comunicação eficaz com os mercados internacionais. A manutenção da confiança dos parceiros comerciais depende da eficácia das medidas de contenção e da transparência na condução da crise. No Rio Grande do Sul, a recomendação é seguida à risca nas sete barreiras instaladas. As estruturas estão distribuídas em pontos estratégicos: duas na BR-386, uma ao norte na RS-124, uma na TF-10, no sentido do município de Triunfo, e outras três em estradas vicinais que dão acesso à zona rural.

Frase

“O Brasil é um exemplo para o mundo de compromisso com a questão sanitária tanto animal quanto vegetal”

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República