O GLOBO, n 32.341, 22/02/2022. Economia, p. 12

Cidadania virtual da Estônia atrai quase mil brasileiros

Mariana Barbosa


País foi lº a lançar esse tipo de programa, que ganha fôlego com trabalho remoto

A pequena Estônia, no Leste da Europa, já contabiliza quase 90 mil residentes virtuais de 176 nacionalidades, dos quais 906 são brasileiros.

Com 1,3 milhão de habitantes e um PIB que é um terço do valor de mercado da Petrobras, a Estônia tem se esforçado para atrair start-ups estrangeiras e os chamados nômades digitais, oferecendo uma porta de entrada para quem quer fazer negócios ou prestar serviços para empresas europeias.

O país foi o primeiro a lançar um programa de cidadania e residência virtual, o eResidency, que permite a estrangeiros abrir conta em euro ou dólar, além de empresas, de forma totalmente virtual. Desde o lançamento, em 2014, o programa garantiu uma receita de € 54 milhões (R$ 312 milhões) para os cofres do país em taxas e impostos.

A difusão do trabalho remoto e a digitalização dos negócios na pandemia fizeram disparar a demanda pelo programa. Só no ano passado, o número de novos cidadãos virtuais atingiu o mesmo número de bebês nascidos no país: 12 mil.

O Brasil já é o 26ºpaís em volume de residentes virtuais na Estônia, e o aumento da procura nos últimos dois anos levou o país a abrir, em maio, um posto de entrega de seu cartão de identidade em São Paulo.

O ponto de coleta normalmente fica nas embaixadas da Estônia, mas, como o país não tem representação diplomática oficial em nenhum país da América do Sul, brasileiros e os demais sul-americanos costumavam ir a Portugal ou Espanha para retirar o cartão.

Dos 906 brasileiros com residência virtual e conta bancária digital na Estônia, 209 também possuem um CNPJ estoniano. A maioria das empresas de brasileiros é da área de desenvolvimento de software ou soluções de TI.

— A Estônia é porta de entrada para acessar o mercado comum europeu e a Rússia — diz Amir Maestri, que é cônsul honorário da Estônia em Joinville, Santa Catarina.

Além de facilitar a abertura de empresas, o programa Startup Estônia auxilia os empreendedores com redes de contato e acesso a capital.

Quem tem empresa na Estônia tem que recolher impostos localmente: a alíquota é de 20%, mas o empresário só paga no momento de distribuição de lucros. Enquanto estiver reinvestindo os recursos, a empresa não precisa recolher impostos.

Até maio do ano passado, a demanda de brasileiros era praticamente espontânea, no boca a boca digital. Com o aumento da demanda, a Estônia está começando a promover eventos, com a vinda de diretores do programa. Na semana passada, foram quatro eventos presenciais, um em Florianópolis e três em São Paulo, atraindo cerca de 200 pessoas.