O GLOBO, n 32.341, 22/02/2022. Mundo, p. 17

EUA e União Europeia anunciam sanções para punir Rússia



Alvo de ações americanas são territórios separatistas na Ucrânia, enquanto UE vai centrar suas medidas diretamente contra Moscou

A presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), Ursula von der Leyen, anunciou ontem que o bloco europeu vai reagir com sanções contra a Rússia após a decisão do presidente Vladimir Putin de reconhecera independência das regiões separatistas pró-Moscou na Ucrânia. Já os EUA anunciaram que vão impor sanções contra as áreas separatistas, alertando que mais medidas punitivas podem ser impostas, se necessário. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Biden o presidente Joe publicará uma ordem executiva para “proibir novos investimentos, comércio e financiamento por parte de americanos de, para ou nas regiões” pró-russas de Donetsk e Luhansk.

Para o bloco europeu, a decisão russa é uma “flagrante violação do direito internacional”. Segundo o premier holandês, Mark Rutte, as sanções serão divulgadas hoje.

“O reconhecimento dos dois territórios separatistas na Ucrânia é uma violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos Acordos de Minsk. A UE e seus parceiros reagirão comunidade, firmeza e determinação em solidariedade coma Ucrânia ”, disseram o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e Leyen, no Twitter.

BIDEN FALA COM ZELENSKY

Em comunicado da Casa Branca, Psaki afirmou que o decreto de Biden “também dará autoridade para impor sanções a qualquer pessoa determinada a operar nessas áreas da Ucrânia”.

Em um telefonema com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Biden afirmou que os EUA apoiam a integridade territorial da Ucrânia. Ele “reafirmou o compromisso dos EUA com a soberania e a integridade territorial” da Ucrânia, informou a Casa Branca. Segundo anota o fi cial,Biden também atualizou Zelensky sobre a resposta americana, que “inclui sanções”. Biden reiterou que os EUA vão “responder rápida e decisivamente, em sintonia com seus aliados e parceiros, a novas agressões russas contra a Ucrânia”.

Mais cedo, a Ucrânia pediu a imposição de sanções severas contra Moscou o quanto antes. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a decisão da Rússia é “uma violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia” e que a ação é “incompatível com os princípios da Carta das Nações Unidas”. O Brasil apoiou a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, do qual atualmente o país é membro rotativo.

BORIS: ‘NA DIREÇÃO ERRADA’

Em comunicado, o presidente da França, Emmanuel Macron, criticou a decisão de Putin e pediu “sanções europeias seletivas” contra Moscou. Ele também pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, denunciando uma “violação unilateral dos compromissos internacionais da Rússia e uma violação da soberania da Ucrânia “.

À noite, Macron conversou com Biden e com o chanceler alemão, Olaf Scholz. Em nota divulgada pelo governo alemão, os três concordaram que a decisão de Putin “não ficará sem resposta”.

Os três líderes “estão de acordo que esta medida unilateral da Rússia constitui uma violação clara” dos acordos de paz de Minsk para solucionar o conflito ucraniano, disse o porta-voz Steffen Hebestreit em comunicado após a conversa entre os três.

Em Londres, a ministra das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Liz Truss, disse que seu governo anunciará hoje sanções à Rússia. Já o premier Boris Johnson disse que o Ocidente precisa aplicar o máximo de pressão possível sobre o governo russo. Segundo ele tudo indica que “as coisas na Ucrânia estão indo na direção errada”.