VALOR ECONÔMICO, n 5418, dias 15,16 e 17 de Janeiro de 2022, Empresas, B4
Toledo prevê crescer 15% com varejo e commodities
Ivo Ribeiro
Ancorada nos setores do agronegócio, varejo e serviços, que respondem por mais de 80% das vendas, e também no industrial, caso de mineração de ferro, outro e outros minerais, a fabricante de balanças Toledo do Brasil projeta mais um ano de crescimento, após fechar 2021 com aumento de 35% no faturamento. Pela primeira vez, a empresa atingiu a marca de quase R$ 680 milhões.
“Foi um ano melhor do que o que planejamos”, afirmou o presidente e um dos acionistas da companhia, Paulo Eric Haegler. Ele destaca que a Toledo aumentou as vendas, contratou 65 pessoas e investiu na sua fábrica localizada em São Bernardo do Campo (SP). “Além de crescermos, fomos rentáveis”, acrescentou.
Para este ano, o empresário projeta um crescimento menor, na faixa de 15%, porém visto como robusto, pois será sobre uma base de comparação maior e por ser um ano com cenário diferente. Parte virá de mais volume de venda, outra de reajuste de preços e parte de lançamentos.
Em 2021, diz, havia demanda reprimida do ano anterior, o que levou ao salto de vendas. “Começamos com uma carteira de pedidos maior do que a da virada de 2020”.
O que gera um estado de alerta neste ano, afirma, são os reajustes elevados nos preços de insumos - componentes, aço, plásticos -, os juros e inflação altos, além da pandemia de covid-19. E trata-se também de um ano de eleições. Todos esses fatores, diz o empresário, retardam decisões de investimento no país. Haegler diz estar cautelosamente otimista com a economia em 2022, porém, arrisca alta de 2% para o PIB, bem acima das atuais projeções de 0,5%.
A Toledo atua em três grandes mercados - a cadeia do pequeno ao grande Varejo; Agronegócio (da fazenda ao porto) mais Indústria (mineração de ferro, de ouro, siderurgia, sucateiras e outros); e na área de Serviços (reparo, modernização, assistência técnica e softwares para equipamentos de pesagem). Cada mercado responde por um terço do faturamento.
Haegler afirma que o Brasil continuará ampliando as exportações de commodities. “O real deverá se manter desvalorizado, favorecendo os embarques ao exterior de grãos, carnes, petróleo crú, ferro, além da fabricação local”. Ele diz que o produtor de grãos recebe pela produção com base em dólar e deve continuar investindo em instalações e máquinas, novos silos e reposição de balanças, assim como as cooperativas, os frigoríficos, as usinas de açúcar e álcool e ampliação e modernização dos portos.
Na área de comércio - de supermercados a padarias e açougues - que utiliza balanças Toledo e de outras marcas, os clientes terão de atualizar seus equipamentos de pesagem a uma nova legislação, a qual requer informação sobre fatores nutricionais (principalmente sal e açúcar) dos produtos vendidos. “Por isso, precisarão trocar tanto o software de algumas balanças como as próprias balanças antigas”, informa.
O empresário cita ainda crescimento da demanda de balanças pelo setor de e-commerce e de logística (mais centros de distribuição) e também de hospitais.
O resultado do ano passado - faturamento líquido de R$ 678 milhões -, surpreendeu, disse o empresário. “Nunca tivemos esse percentual de crescimento em períodos de inflação de até 10% ao ano”. A Toledo fechou o ano com mais de 1500 funcionários.
Na rentabilidade, que foi superior a 8% da receita, houve contribuição, em parte, da decisão favorável do processo sobre PIS/Cofins e ICMS, informou Haegler.
Para atender ao aumento da demanda, superado o auge da pandemia em meados de 2020, a Toledo recorreu a uma expansão inusitada: montou dois galpões em um antigo estacionamento no fundo da fábrica, coberto com lonas, somando 1,5 mil metros quadrados, para complementar suas unidades de produção.
Com foco no mercado brasileiro, a empresa exportou apenas 2% do faturamento - R$ 12 milhões. “É apenas residual”. Segundo Haegler, o setor foi, em parte, protegido contra importações pelo dólar valorizado e pelos custos dos fretes. Entretanto, balanças menos sofisticadas tecnologicamente continuam entrando no país sem receber os selos de certificação do Inmetro, vendidas a preços bem inferiores. “O IPEM e o Inmetro enfrentam dificuldades com contigenciamentos de verbas e não podem contratar mais técnicos”.
Do total de investimentos de R$ 125 milhões, a maior parte foi para capital de giro (R$ 80 milhões) e em pesquisa e desenvolvimento de produtos (R$ 30 milhões). Na modernização e expansão da frota de caminhões de calibração (serviço de assistência técnica) foram aplicados R$ 15 milhões - aumentou de 52 para 63.
“Em P&D, conseguimos com os investimentos renovar 20% das ‘soluções’ que oferecemos aos clientes a cada ano”, informou o empresário. Um exemplo, diz, é a Plataforma Cloud, sistema que permite acessar informações de pesagem remotamente e em tempo real. Segundo Haelgler, a empresa investe 4,5% da receita por ano em P&D.