O GLOBO, n 32.341, 22/02/2022. Saúde, p. 20

Dose de reforço protege mais do que se imaginava

Apoorva Mandavilli


Estudos indicam ação robusta na imunidade contra a Ômicron e outras variantes a médio e até longo prazo

À medida que as pessoas em todo o mundo lidam com a perspectiva de viver com o coronavírus no futuro próximo, uma pergunta se impõe: quando elas precisam de mais uma dose de vacina? Não por muitos meses, e talvez não por anos, de acordo com uma enxurrada de novos estudos. Três doses de uma vacina Covid — ou mesmo apenas duas — são suficientes para proteger a maioria das pessoas de doenças graves e morte por um longo tempo, sugerem.

Embora pessoas com mais de 65 anos ou com alto risco de doença possam se beneficiar da quarta dose de vacina, esse reforço pode ser desnecessário para a maioria, diz John Wherry, diretor do Instituto de Imunologia da Universidade da Pensilvânia. 

Autoridades americanas de saúde, como Anthony Fauci, principal conselheiro da Casa Branca, também dizem que é improvável que recomendem uma quarta dose antes de setembro.

NOVAS VARIANTES 

A variante Ômicron consegue driblar anticorpos produzidos após duas doses de uma vacina contra a Covid, mas uma terceira dose das vacinas de mRNA feitas pela Pfizer ou pela Moderna leva o corpo a produzir uma variedade muito maior de anticorpos, o que seria difícil para qualquer cepa do vírus escapar, de acordo com o estudo mais recente, publicado na semana passada.

O repertório diversificado de anticorpos produzidos deve ser capaz de proteger as pessoas de novas variantes, mesmo aquelas que diferem significativamente da versão original do vírus, sugere o estudo.  

—Se as pessoas são expostas a outra variante, como a Ômicron, elas ganham munição extra para combatê-la — afirma Julie McElrath, médica de doenças infecciosas e imunologista do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, nos EUA.

Além disso, outras partes do sistema imunológico podem lembrar do vírus para atacá-lo por muitos meses ou anos, de acordo com pelo menos quatro estudos publicados em revistas de primeira linha no mês passado. 

Células imunes especializadas, produzidas após a imunização pelas vacinas da Pfizer, Moderna, Janssen e Novavax, são cerca de 80% tão poderosas contra a nova variante quanto contra as outras, dizem as pesquisas.