O GLOBO, n 32.342, 23/02/2022. Economia, p. 12
Dólar recua a R$ 5,05 e renova mínima em sete meses
Vitor da Costa
Apesar de temor de guerra entre Rússia e Ucrânia, Brasil se beneficia por 'commodities' e juros elevados. Bolsa tem alta de 1,04%
Apesar do cenário negativo no exterior, com a possibilidade cada vez maior de uma invasão russa na Ucrânia, o dólar comercial manteve sua trajetória ontem, enquanto a Bolsa encerrou em alta. A moeda americana recuou 1,09%, a R$ 5,0511, menor patamar desde 1º de julho de 2021, quando ficou em R$ 5,0448.
O real continua a se beneficiar da entrada de fluxo estrangeiro no país, do patamar alto do juro local e do avanço das commodities no exterior.
O Ibovespa subiu 1,04%, aos 112.892 pontos, puxado por Vale e siderúrgicas. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da mineradora avançaram 1,73%, enquanto as da CSN subiram 0,69%. Os papéis preferenciais (PN, sem voto) da Usiminas ganharam 1,66%.
—Hoje, o Brasil é um grande exportador de commodities e a gente vem se beneficiando por causa disso. Ainda entendemos que essa queda do dólar vai permanecer por algum tempo — afirmou Giovanni Rezende, assessor de investimentos da Ável.
BRENT ENCOSTA EM US$ 100
Para Rezende, um conflito entre russos e ucranianos pode piorar o cenário para o mercado interno, ainda que em escala menor se comparado a outras praças.
Até o pregão do dia 18 de fevereiro, o fluxo estrangeiro no segmento secundário da B3, aquele com ações já listadas, estava positivo em R$ 55.804,8 bilhões.
—Com a alta de juros americanos, o capital de risco acaba saindo um pouco dos Estados Unidos e indo para emergentes. O Brasil, por ser um país focado em commodities, acaba sendo um porto seguro —disse o head de renda variável do Grupo Aplix, Aroldo Holanda.
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, chegou a bater US$ 99,50, maior nível desde setembro de 2014. Depois, no entanto, perdeu força, devido a um possível acordo nuclear com o Irã e ao fato de os EUA não terem anunciado sanções mais duras contra a Rússia.
O contrato do Brent para abril encerrou em alta de 1,52%, a US$ 96,84. Já o contrato para março do petróleo tipo WTI avançou 1,41%, a US$ 92,35.
Para Rezende,o petróleo mantém a perspectiva de valorização:
—A Rússia é uma das maiores exportadoras de petróleo e gás para a Europa. Havendo conflito e sanções econômicas, o país pode cortar essa exportação, e a Europa teria que usar outros derivativos do petróleo.
Em relatório, o banco alemão Commerzbank afirma que é “uma questão de tempo” o barril do Brent atingir a marca de US$ 100.
As ações da Petrobras, que passaram a manhã em alta, acabaram cedendo depois de o petróleo perder fôlego. Os papéis ON recuaram 1,55%, e os PN, 0,32%. Ainda assim, no ano as ações acumulam alta superior a 18%.
As ações da PetroRio caíram 2,89%, e as da 3RPetroleumon, 2,54%.