O GLOBO, n 32.342, 23/02/2022. Economia, p. 14

Freitas: Santos Dumont deve privilegiar voos de negócios

Ivan Martínez-Vargas


Ministro diz que concessões do terminal no Centro do Rio e do Galeão serão planejadas em conjunto, para que atuem “em harmonia'

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que a devolução do Galeão já era esperada, pois havia sinais de inviabilidade do projeto. Segundo Freitas, a nova licitação, que deve ser feita junto com a do Santos Dumont somente no próximo ano, terá incentivos na tarifa para evitar a canibalização entre os aeroportos.

Desde que o governo começou a discutir a concessão do Santos Dumont, autoridades fluminenses manifestaram preocupação com o risco de esvaziamento do aeroporto internacional, caso não houvesse restrição à expansão de voos no terminal no Centro do Rio.

A lógica é que as concessões devem ser planejadas de forma integrada.

— A gente vai estruturar os dois aeroportos em conjunto. Isso é interessante do ponto de vista concorrencial. Tenho certeza de que agora dá pra atuar na modelagem e na regulação de maneira que os dois aeroportos coexistam com muita harmonia. Isso mexendo em tarifa, privilegiando o voo business (corporativo) para o Santos Dumont, os outros voos para o Galeão — disse o ministro.

Freitas propõe que a outorga seja usada em projetos de mobilidade urbana no Rio.

Autoridades fluminenses e setor de turismo se preocupam com o prazo para a licitação, em 2023, primeiro ano de um novo governo. O próprio ministro deve se afastar da pasta em abril para concorrer ao governo de São Paulo.

Perguntado sobre a suspensão da licitação das BR-381 e BR-262 entre Minas Gerais e Espírito Santo, trecho chamado de Rodovia da Morte, Freitas afirmou que o governo vai remodelar a concessão para atrair interessados do setor privado e que o certame será realizado em agosto.

O prazo é tido como pouco factível pelo mercado em razão do cronograma eleitoral. O projeto “deu errado”, segundo Freitas, devido à complexidade de engenharia e do alto volume de investimentos previstos, de R$ 7,7 bilhões.

Freitas diz que o governo pretende editar medida provisória para viabilizar o uso de outorgas pagas por concessionárias de ferrovias em projetos rodoviários. Isso viabilizaria usar recursos pagos no âmbito da Estrada de Ferro de Vitória a Minas na BR-381.