O GLOBO, n 32.342, 23/02/2022.  Política, p. 4

Paralisação de 1997 acabou em confronto e se espalhou pelo país

Pedro Araújo


Em 1997, a paralisação de policiais de Minas Gerais, uma das maiores da história recente do país e a primeira oficialmente declarada, começou como uma “greve branca”, mas o aumento da insatisfação levou os agentes às ruas, provocou a morte de um cabo e acabou por espalhar manifestações em outros estados.

Em junho daquele ano, após o governo anunciar aumento salarial entre 10% e 20% para oficiais, os praças da Polícia Militar começaram a se organizar, por terem sido excluídos do reajuste. Eles também reclamavam das condições de trabalho.

Pelo menos quatro batalhões deram início à “greve branca”. No dia 21 de junho, o então governador Eduardo Azeredo (PSDB) anunciou abono de R$ 102 para os praças da PM e detetives da Polícia Civil, mas o valor não agradou a categoria.

Três dias depois, os insurgentes saíram em passeata, que reuniu cerca de mil detetives da Polícia Civil e cinco mil militares. O ato acabou em confronto. De um lado, os policiais que protestavam, e do outro, os que protegiam o Palácio da Liberdade, sede do governo, para que os manifestantes não o invadissem.

No enfrentamento, um cabo da PM foi baleado na cabeça, e três pessoas ficaram feridas. O Exército foi chamado para ocupar o Palácio da Liberdade.

No dia seguinte, os agentes se recusaram a trabalhar até que as exigências fossem atendidas, deixando as ruas sem patrulhamento.

Forçado a reabrir as negociações, Azeredo anunciou reajuste de 48,2% para cabos, sargentos, soldados e subtenentes da Polícia Militar, encerrando um mês de tensão.

Inspirados nos colegas mineiros, agentes de segurança de 11 estados também cruzaram os braços, em motins para reivindicar aumento salarial.