O GLOBO, n 32.343, 24/02/2022. Economia, p. 15

Brasil deveria ser pago por ''prestação de serviços ambientais'', diz Guedes



Ministro afirma que o país vai assumir protagonismo no planeta no cuidado com florestas

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o Brasil deveria ser pago por preservar o meio ambiente, rebateu as críticas contra o governo federal em relação ao assunto e afirmou que o país vai “assumir o protagonismo no mundo” no cuidado com as florestas.

— Quem mais polui o mundo são os países avançados. O problema em relação ao Brasil é a preservação das florestas, mas precisamos receber pela prestação de serviços ambientais. Estamos fazendo nosso movimento, em que seremos protagonistas —afirmou o ministro, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em evento do mercado financeiro.

Para Guedes, o convite do Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um atestado de que a questão ambiental está sendo compreendida pelo mundo. O combate ao desmatamento foi uma das exigências feitas pelo chamado “clube dos ricos”. O Brasil está em uma lista de seis países que buscam conquistar uma vaga.

—Daqui para frente nós temos dois pilares: tributar os poluidores, mas o Brasil é um pequeno poluidor; e, por outro lado, pagar os serviços ambientais de quem preserva. Vamos prestigiar muito a questão verde. Vamos assumir o protagonismo no mundo, porque o Brasil é a maior potência verde no mundo —disse o ministro.

No comunicado em que convidou o Brasil a dar início ao processo formal de ingresso na organização, a OCDE deixou claro que será rigorosa nas negociações em vários aspectos, incluindo a preservação da biodiversidade e a redução do desmatamento.

A questão ambiental sempre foi motivo de preocupação da comunidade internacional, de ambientalistas e do próprio empresariado brasileiro, que tem grande interesse no ingresso do Brasil na OCDE.

As queimadas na Floresta Amazônica que abalaram o mundo em 2019 e a falta de resultados expressivos na redução do desmatamento na atualidade podem atrapalhar esse projeto — e se tornaram alvos de crítica em todo o mundo.

Durante o evento, Guedes também defendeu as ações do governo em outras áreas. O ministro citou projetos que, segundo ele, ainda estão caminhando, mesmo em ano eleitoral, como as privatizações da Eletrobras e dos Correios.

Já a autonomia do Banco Central foi classificada como um antídoto contra a “politização da moeda”.

— A despolitização da moeda em um ano de sucessão é uma quebra de paradigma. Revela destemor e patriotismo para com o Brasil. É uma demonstração inequívoca de quebra de paradigma num ano eleitoral — afirmou Guedes.