O GLOBO, n 32.343, 24/02/2022. Economia, p. 13

Bolsonaro diz que não interfere em preço, que deve seguir um pouco alto

Daniel Gullino


No mesmo dia em que a Petrobras divulgou o maior lucro de sua história impulsionado pela alta do petróleo, o presidente Jair Bolsonaro reiterou que não vai interferir nos preços dos combustíveis, mas disse acreditar que o valor atual vai continuar sem novo reajuste. A alta de preços nas bombas é um dos principais fatores de desgaste do presidente, que fez do valor da gasolina e do diesel uma prioridade em ano eleitoral.

— Estamos chegando a cinquenta dias sem reajuste do combustível. Eu não tenho como interferir, não vou interferir, mas eu acho que vai continuar esse preço, apesar de um pouco alto. Apesar de termos que discutir a composição do preço do combustível — disse o presidente, em evento do mercado financeiro.

Bolsonaro atribuiu à “política errada do ICMS” (imposto estadual) o preço nas bombas. Historicamente, o presidente tem tentado responsabilizar governadores pela cotação, que também pressiona a inflação.

—O álcool caiu na ordem de R$ 1,30 nos últimos meses e na bomba não baixou um centavo. A mesma coisa a gasolina.Não baixou por causa dessa política errada do ICMS.

Os estados congelaram em novembro o ICMS que incide sobre os combustíveis. Entretanto, argumentam que estão abrindo mão de receitas sem um retorno para o consumidor. 

Esse congelamento reduziu a arrecadação potencial dos estados em R$ 3,4 bilhões entre novembro e 15 de fevereiro deste ano, de acordo com levantamento do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

O Congresso tem tentado aprovar medidas para mudar a tributação dos combustíveis, com possível reflexo nos preços. Mas não há, até o momento, entendimento sobre o tema. Ontem o Senado deixou de votar dois projetos sobre o assunto, marcando a análise das propostas para 8 de março.

“A Petrobras gerou resultados consistentes no quarto trimestre, mostrando que uma empresa saudável e comprometida com a sociedade é capaz de crescer, investir, gerar empregos, pagar tributos e retornar dinheiro aos seus acionistas” Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras.