O GLOBO, n 32.344, 25/02/2022. Economia, p. 13
De Nestlé a Coca-Cola, empresas suspendem produção no país
CEO da Mondelez diz que proteger funcionários e “preocupação número um'
A invasão russa também levou multinacionais, de cervejas e refrigerantes a alimentos e aço, a suspenderem ou limitarem a produção na Ucrânia. Entre elas, Carlsberg, Nestlé, Mondelez e ArcelorMittal. Companhias aéreas também cancelaram voos e suspenderam operações no país.
A ArcelorMittal, maior produtora de aço do mundo, informou em rede social que busca reduzir “ao mínimo técnico” sua produção siderúrgica na Ucrânia e que interrompeu as atividades nas minas subterrâneas.
A dinamarquesa Carlsberg interrompeu as operações em Kiev e em Zaporizhzhya, no Sul. Um porta-voz da empresa disse à Reuters que o objetivo é cuidar da segurança dos 1.300 funcionários no país. Apenas a fábrica na cidade de Lviv, que é mais a Oeste, continua funcionando.
A cervejaria turca Anadolu Efes, que opera uma joint venture com a AB InBev (dona da brasileira Ambev), com 3 mil funcionários, interrompeu as vendas e a produção.
Uma engarrafadora da Coca-Cola também fechou temporariamente a fábrica local.
AÉREA QUER EVACUAR EQUIPES
A gigante dos alimentos Nestlé fechou três fábricas na Ucrânia, onde emprega um total de 5 mil pessoas.
Já a Mondelez, dona das marcas Oreo e Milka, entre outras, disse que suspenderia suas operações no país se a situação se tornasse “muito perigosa”. A empresa emprega mais de 4.300 pessoas no Leste da Europa.
—Assegurar que essas pessoas estejam seguras é a preocupação número um —disse à Reuters o CEO da Mondelez, Dirk Van de Put. — Temos grandes operações nos dois países (Ucrânia e Rússia). Se tivermos de fechar fábricas porque está muito perigoso, nós o faremos.
A low cost Wizz Air, uma das poucas aéreas estrangeiras com bases na Ucrânia, tenta evacuar os funcionários e suas famílias, além de remover três aeronaves. A porta-voz da empresa, Christie Rawlings, disse à Bloomberg que, apesar de não ser possível fazer voos comerciais, porque o espaço aéreo está fechado, são permitidas partidas para evacuar funcionários.
A alemã Knauf, de materiais de construção, fechou uma fábrica de placas de gesso na região separatista de Donbas,até segunda ordem “por questões de segurança” e enviou seus quase 600 trabalhadores para casa.
Já a fabricante de motores para aviões Rolls-Royce teme que sua produção seja afetada, pois 20% do titânio que usa vêm da Rússia.