O GLOBO, n 32.344, 25/02/2022. Mundo, p. 21

China se recusa a criticar ataque russo e culpa EUA



'As partes envolvidas devem evitar que a situação saia do controle', disse porta—voz do Ministério das Relações Exteriores em Pequim

A China se recusou a condenar o ataque da Rússia à Ucrânia e, em vez disso, pediu moderação a “todas as partes” e repetiu as críticas de que os Estados Unidos eram os culpados por “exagerar” a perspectiva de guerra no Leste Europeu nos últimos dias.

Líderes ocidentais reagiram às ações militares, e sugeriram que a Rússia deve ser duramente punida por seus atos. Pressionada, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, repetidamente evitou perguntas durante uma tensa entrevista com jornalistas ontem em Pequim considerava a incursão militar de Moscou no território ucraniano uma invasão. Hua disse que a China estava “monitorando a situação” de perto, mas que Pequim não pretende se precipitar em tirar conclusões. Ela voltou a ressaltar que a soberania e a integridade territorial de todos os países devem ser respeitadas.

— As partes diretamente envolvidas devem exercer moderação e evitar que a situação saia do controle — afirmou Hua, ao mesmo tempo em que reiterou a necessidade de abordar as “legítimas preocupações de segurança” do presidente Vladimir Putin, citando as vendas de armas americanas para Kiev.

Hua destacou, ainda, as garantias de Moscou de que as cidades não seriam atacadas, enquanto disse que a Rússia era independente e poderia definir uma estratégia com base em seus próprios interesses.

— Afirmamos muitas vezes que os EUA recentemente aumentaram a tensão e agigantaram a guerra —repetiu Hua.

Durante um telefonema com o chanceler russo, Sergei Lavrov, ontem, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que Pequim “entende as preocupações razoáveis da Rússia sobre questões de segurança”, segundo um comunicado do governo.

Wang também pediu que um “mecanismo de segurança europeu equilibrado, eficaz e sustentável” seja formado por meio de diálogo e negociação.

A China e a Rússia têm uma relação econômica e comercial cada vez mais forte, apoiada pela crescente demanda chinesa por energia, alimentos e outros produtos. A energia representou dois terços das importações chinesas da Rússia no ano passado e deve continuar crescendo após a assinatura de acordos de fornecimento de gás e petróleo quando Xi e Putin se encontraram em Pequim.

Por sua vez, enquanto se desenrola a guerra na Europa, a Força Aérea de Taiwan alertou novamente, ontem, para a entrada de nove aeronaves chinesas em sua chamada zona de defesa aérea. A pequena nação insular, que a China considera uma província rebelde, vem reclamando de incursões regulares da Força Aérea chinesa nos últimos dois anos.