Correio Braziliense, n. 22716, 31/05/2025. Política, p. 2
Pedido de investigação
Israel Medeiros
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ontem para pedir a abertura de uma nova investigação criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de obstrução de Justiça. Ele pede também a adoção de medidas cautelares para evitar que o ex-chefe do Executivo tenha contato com testemunhas no inquérito da tentativa de golpe.
O motivo foi uma ligação feita por Bolsonaro para o senador Hamilton Mourão (RepublicanosRS) na véspera de um depoimento do congressista ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 22 de maio. A ligação foi noticiada pela imprensa e depois confirmada pelo próprio senador. “Falamos na véspera sobre os pontos fortes a serem abordados: transição e 8 de janeiro”, disse Mourão, à CNN, em 28 de maio. No mesmo dia, no entanto, mudou de versão. Afirmou que os dois só conversaram sobre a data do depoimento do militar e sobre o estado de saúde de Bolsonaro.
Mourão foi ao Supremo para falar sobre os últimos meses da gestão Bolsonaro, quando era vice-presidente da República. Ele ficou no exercício do cargo quando o então presidente deixou o Brasil em 30 de dezembro de 2022 rumo aos Estados Unidos.
“A relação entre os envolvidos (...) revela, no mínimo, a tentativa deliberada de tentar influenciar a versão dos fatos que seria levada ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal”, escreveu Lindbergh no documento enviado à PGR. (...) O telefonema configura, em tese, obstrução à Justiça, pois insere-se na tentativa de embaraçar a investigação de infração penal que envolve organização criminosa”, afirmou o líder do PT na petição.
O líder do PT pediu também que a PGR recomende à Justiça requisitar registros de chamadas telefônicas, dados de celular e eventuais mensagens trocadas entre Bolsonaro e Mourão.