Correio Braziliense, n. 22717, 01/06/2025. Economia, p. 8
Investimentos verdes
Rafaela Gonçalves
Com os olhos do mundo voltados ao Brasil, que será sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Rodrigo Rollemberg, avalia o momento como um potencial do país para se tornar um “paraíso de investimentos verdes”.
“É um evento crucial para apresentar o potencial do Brasil”, disse, em conversa com jornalistas a caminho da inauguração da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC).
O secretário, que está prestes a deixar o governo para assumir vaga na Câmara dos Deputados, fez uma avaliação da pasta sobre sua gestão e detalhou planos futuros na auditoria de projetos no Congresso. “Há um grande potencial de associar esses projetos de restauração e reflorestamento à sociobioeconomia, produzindo bens como açaí, cacau, cupuaçu, babaçu, castanha, murumuru, entre outros produtos florestais e não florestais, incluindo manejo sustentável da madeira”, avaliou.
Ele enfatizou que a renda dessa associação, juntamente com os créditos de carbono, pode gerar uma “oportunidade gigantesca”. “Para isso, é essencial a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias.” Sobre o avanço da pesquisa para a exploração da Foz do Amazonas, considerada uma contradição em meio ao avanço da agenda de transição energética, ele defende que parte relevante dos recursos provenientes do petróleo, especialmente da Margem Equatorial, deve ser destinada ao desenvolvimento da sociobioeconomia e à restauração florestal.
Rollemberg afirma já ter um projeto pronto para a destinação desses recursos, sugerindo que um percentual vá para o Fundo Amazônia, outra parte para o Fundo Clima e Fundo de Desenvolvimento Industrial.